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“Comemorei meus 50 anos no atoleiro”, diz Elizana

Foto de Gabriele Schimanoski
Gabriele Schimanoski

Completar meio século de vida exige uma celebração especial. Pensando nisso, a caminhoneira Elizana Joanella havia combinado uma festa que reuniria um grande número de familiares e amigos. Mas o momento tão sonhado teve que ficar para depois. A data foi passada em meio à lama da BR-163. “Comemorei meus 50 anos no atoleiro”, disse à reportagem do LIVRE.

Ao lado do esposo, Odair Joanella, cada qual em sua carreta, Elizana saiu de Sinop com destino ao terminal de Miritituba (PA). No sábado (04/03), 17 dias depois, a viagem ainda não havia terminado. “Já tínhamos feito esse percurso no mês passado e levamos seis dias para fazer 40 km de terra”, relata Odair.

Temendo algum imprevisto, eles abasteceram as carretas com mantimentos em Guarantã do Norte. Levaram inclusive galões de água de 20 litros, o que não foi suficiente em meio a tantos pedidos. “O maior problema é a água, porque a comida às vezes a gente encontra em uma mercearia, mas água é mais complicado. E tem muitos motoristas que não sabiam que aqui era assim”, lamenta Elizana.

Naturais do Paraná  e casados há 30 anos, Odair e Elizana vivem no norte de Mato Grosso e têm dois filhos. Segundo ele,  a necessidade financeira os obriga a se aventurar pelas estradas do país.

“É o casal da estrada”, brinca Odair, que deu uma carreta de presente à esposa logo no primeiro mês de casamento. “Eu tinha três. Ela que aprendeu rapidinho”, conta, orgulhoso.

Para não ficar sozinha na boleia, Elizana leva sua companheira e co-pilota, Belinha, uma pinscher branca e preta de olhos bem atentos. “Há sete anos ela me acompanha e segue viagem aqui no painel. Nas horas de solidão, a Belinha está sempre comigo”, mostra a motorista.

Improviso
Como a dupla faz aniversário em datas próximas, a comemoração teve que ser feita na própria rodovia, na fila de carretas que se formou nas proximidades da comunidade de Três Bueiros.

Ao compartilhar a história com os amigos da estrada – de forma espontânea –  todos cantaram parabéns. “Foi bacana, porque tinha umas 15, 20 pessoas embaixo de uma árvore cantando parabéns pra mim, pro meu esposo e para a esposa de outro caminhoneiro que fazia aniversário no dia seguinte”, conta ela.

O bolo foi substituído por cupuaçu, pego em uma propriedade na beira da rodovia. Para ela, o que fica dessa experiência é a união. “Em meio as adversidades, as pessoas costumam se unir mais”, disse.

Para Odair, a lembrança que ficará é a da solidariedade. “Muita gente foi prestativa. Paramos no meio do nada e sempre tinha alguém para ajudar”.

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