Com mais de 3 mil vítimas de violência em 2018, delegacia avalia atendimento 24h

Falta de efetivo é um dos maiores desafios que a Delegacia da Mulher de Cuiabá enfrenta

Delegada titular, Jozirlethe Criveletto acredita que capacitação de profissionais já existentes é uma alternativa (Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O segundo anuário estatístico da Delegacia Especializada de Defesa da Mulher de Cuiabá apontou que 3.054 mulheres foram vítimas de violência em 2018. O número é superior a 2017, quando 2.718 vítimas foram atendidas no local. Estes e outros dados foram apresentados nesta segunda-feira (1), durante coletiva, na Polícia Judiciária Civil.

Titular da delegacia, Jozirlethe Criveletto também apresentou uma análise detalhada sobre os atendimentos que foram feitos no período, o perfil das vítimas e dos agressores e as providências tomadas após as ocorrências. Os registros ocorreram em mais de 300 bairros de Cuiabá, sendo que há apenas uma delegacia que funciona em horário comercial.

De acordo com a delegada, o número de delegacias na Capital é suficiente, já que a PJC segue uma norma de padronização técnica nacional, que prevê a existência de uma delegacia para cada 500 mil a 1 milhão de habitantes. No entanto, a maior dificuldade ainda é o efetivo.

“De acordo com essa norma, uma delegacia da mulher compreenderia mais de três delegados e mais de 60 escrivães investigadores. Mas com a questão de redução de efetivo e a não realização de concurso, que é uma realidade de Mato Grosso, nós não podemos ter o efetivo que consta nessa norma de padronização”, explicou a titular.

Jozirlethe acredita que uma solução para este problema seria a capacitação de profissionais já existentes para atuar na delegacia especializada, mas reconheceu a necessidade do atendimento 24 horas, que já tem local previsto para o funcionamento: o antigo prédio onde funcionava a 2ª DP, no bairro Planalto.

Recentemente, a primeira-dama do Estado, Virgínia Mendes, realizou um evento beneficente que conseguiu arrecadar mais de R$100 mil para a reforma do prédio onde irá funcionar a delegacia 24 horas. De acordo com o diretor metropolitano da PJC, Douglas Turíbio Schutze, ainda não há uma data prevista para início dos trabalhos.

“A primeira-dama, o Governo do Estado, a delegacia e a diretoria da PJC estão todos empenhados para que tudo seja feito dentro da maior rapidez possível e, assim inaugurarmos o atendimento 24 horas para a mulher”, pontuou Schutze.

Ainda de acordo com o diretor metropolitano, o possível fechamento de 16 delegacias no estado, que ainda está em fase de análise, não deve impactar no funcionamento da Delegacia da Mulher.

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Atendimentos em 2018

Apesar de 3.054 mulheres terem sido vítimas de algum tipo de violência no ano passado, foram realizados 2.914 procedimentos. A explicação para isso, segundo a delegada titular, é porque em alguns casos, um registro não contém apenas uma vítima, já que o agressor pode agredir mais de uma mulher em uma mesma ocorrência, como costuma acontecer no ambiente doméstico, em que mãe e filha podem sofrer violência.

O bairro com maior número de ocorrências é o Pedra 90, seguido do CPA III e do bairro Dom Aquino. Inclusive, a delegada titular pontou que o anuário também auxilia no trabalho de projetos como a Patrulha Maria da Penha, que acompanha a situação de mulheres em situação de violência doméstica e familiar, que tenham medidas protetivas de urgência, já que aponta os locais com maior número de registros.

O mês de agosto do ano passado foi o de maior número de ocorrências, o que se deve ao fato segundo Jozirlethe, de ser o mês de aniversário da Lei Maria da Penha, em que o assunto é constantemente debatido. O dia da semana com maior número de ocorrências é a terça-feira, mas não há uma explicação sobre o fato.

A faixa horária mais comuns de ocorrências atendidas é o período vespertino, das 12h às 17h59. No entanto, somando os períodos noturno e madrugada, os registros chegam a 34,1%, mais do que os 32% do vespertino. Daí outro apontamento para a necessidade de um plantão 24 horas para atendimentos destes casos.

Perfil da vítima

O perfil de mulher vítima de violência que o anuário trouxe é de uma pessoa com faixa etária acima dos 25 anos, geralmente entre 35 e 45 anos, na grande maioria solteira, o que não significa que não possuam relação afetiva com o agressor. “Em muitos casos essa mulher ao entrar na delegacia e pedir uma medida protetiva, ela já rompeu com esse relacionamento. A maioria são ex-esposas, ex-conviventes ou ex-namoradas”, explicou Jozirlethe Criveletto.

A maioria destas mulheres estão desempregadas ou em condições de subemprego, apesar de possuírem o ensino médio completo. A delegada titular acredita que tanto o município quanto o Estado precisam investir em políticas públicas de qualificação profissional e de inserção dessas vítimas no mercado de trabalho.

Perfil do agressor

Já o agressor em sua maioria é do sexo masculino – aproximadamente 80% das ocorrências são contra homens – solteiros, com idade entre 35 e 45 anos, com ensino médio completo e também desempregados ou em condições de subemprego. Geralmente o vínculo entre agressor e vítima é o de ex-convivente.

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

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