Com dívida de R$ 18,2 milhões, Frigorífico Nova Carne entra em recuperação judicial

Empresa culpa Operação Carne Fraca da Polícia Federal e diz que sofreu com desdobramento da greve dos caminhoneiros e pandemia do coronavírus

Com dívidas acumuladas em R$ 18,2 milhões, o Frigorífico Nova Carne LTDA, sediado em Nova Xavantina (651 km de Cuiabá), entrou em recuperação judicial.

A autorização foi dada no dia 2 deste mês pelo juiz da 4ª Vara Cível de Rondonópolis, Renan Carlos Leão Pereira do Nascimento. A pedido da banca de advogados, foi decretado segredo de Justiça nos autos.

A recuperação judicial é um processo que permite a reorganização econômica, administrativa e financeira de uma empresa, feita com a intermediação da Justiça. A ideia é evitar a decretação de falência e preservar os empregados.

Agora, o frigorífico Novo Carne tem 60 dias para apresentar um plano de recuperação que contemple todos aqueles que têm dinheiro a receber.

Pelo período de seis meses, todas as ações de execução fiscal, que são dívidas cobradas perante o poder Judiciário, deverão permanecer suspensas.

Motivos da crise

Conforme apurado pelo LIVRE, o Frigorífico Nova Carne LTDA alegou uma sequência de episódios que impactaram negativamente suas finanças.

Na petição inicial, é narrado que as atividades de produção, desde janeiro de 2011, vinha mantendo bom ritmo com o abate de suínos e bovinos.

Porém, em março de 2017, quando foi deflagrada pela Polícia Federal a Operação Carne Fraca, o frigorífico diz que começou a entrar em crise financeira por conta de dificuldades para concretizar transações comerciais.

A operação policial investigou fraudes laboratoriais no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento e irregularidades cometidas por frigoríficos de grandes companhias.

Outra consequência negativa à saúde financeira é que o subproduto couro, produto potencialmente comercializado pela empresa, sofreu redução de preço em quase 50%, o que gerou ainda mais prejuízo ao frigorifico.

Com a greve dos caminhoneiros deflagrada em maio de 2018, o frigorífico diz que sofreu novos prejuízos.

Isso porque houve uma paralisação dos abates de porcos e bois, e o que estava disponível na região estava com preço inflacionado.

Empréstimos com juros altos

Para não suspender a produção, a empresa foi obrigada a recorrer a empréstimos bancários com juros de até 14% ao mês para arcar com os altos custos do gado disponível na região e assim evitar a paralisação geral das funções e demissão em massa de funcionários.

Com o reconhecimento da pandemia do coronavírus pela Organização Mundial de Saúde (OMS), em março de 2020, o frigorífico se viu obrigado a reduzir a carga horária dos empregados e, consequentemente, a produção, agravando ainda mais a crise financeira.

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