Com bolo de 100 kg, comerciante presenteia clientes de padaria há 21 anos

Todos os anos, no dia 2 de julho, o dono da Pão Dourado oferece um café da manhã e um bolo para agradecer sua clientela

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Há 21 anos o CPA III tem um compromisso marcado no dia 2 de julho: a comemoração de mais um aniversário da padaria que vale ouro para qualquer morador da região: a Pão Dourado. Mais do que um estabelecimento comercial, o local já se tornou ponto de encontro e faz parte do dia a dia da comunidade.

Todos os anos Seu Domingos da Silva, um cearense de 55 anos, faz questão de presentear seus clientes com um café da manhã para uma média de 400 pessoas e, à noite, serve um bolo de mais de 100 kg, que faz a alegria da criançada. Neste dia, a padaria, que fica em uma esquina da Rua 50, tem uma fila que chega até o final da rua.

A ideia de Seu Domingos é mostrar que a Pão Dourado só completa mais um aniversário graças àquelas pessoas, que se mantém como clientes do estabelecimento. “Toda vez que fazemos, nós pensamos que, além de ser uma contribuição para a sociedade, faz com que a gente agradeça o cliente pelo ano inteiro que ele passou com a gente”, disse o comerciante.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Mas até que isso se tornasse uma tradição da comunidade, muita água correu por debaixo dessa ponte. Antes de se tornar padeiro e pensar no seu próprio negócio, Seu Domingos entrou neste ramo apenas como um contador de pães. O ano era 1984 e a cidade Fortaleza (CE).

Apesar de ter estudado até a 4ª série, o comerciante disse que sempre foi bom de matemática, o que fez com que ele se destacasse em sua atividade. Cuiabá só apareceu como uma oportunidade quando, ainda na mesma empresa, Seu Domingos precisou trazer um carro para o irmão do ex-patrão, que morava na Capital mato-grossense.

Domingos chegou em Cuiabá no dia 14 de abril de 1987. Seis dias depois, ele já havia conseguido emprego e melhor do que o antigo: ganharia o dobro do que pagavam em Fortaleza. De 1987 até hoje, não pensou em voltar. Talvez no futuro…

O comerciante então tornou-se padeiro e anos mais tarde – em 1998 – em um terreno nos fundos de onde funciona a Pão Dourado hoje, abriu a padaria. “Era só uma portinha. Depois foi surgindo todas as oportunidades. Era uma fase difícil, mas tivemos o desafio de sobreviver junto com a população desse bairro tão querido”, relembra.

Hoje, a Pão Dourado conta com 10 funcionários, os quais Seu Domingos faz questão de frisar que são todos uma grande família. O conceito de família, aliás, está entranhado no negócio. Além de Domingos, a esposa e as duas filhas, de 20 e 21 anos, também trabalham no local.

Ainda é cedo para dizer se as filhas vão continuar com o negócio do pai. Domingos quer que elas estudem e escolham o que vão fazer da vida, mas daqui alguns anos ele já sabe bem o que quer para o futuro: estar sentado na beira de uma praia do Ceará, sua terra natal. Mas até lá, seu Domingos ainda tem bastante trabalho pela frente.

Produção

Ao longo da vitrine de 10 metros de comprimento, uma infinidade de pães, bolos, salgados e produtos de confeitaria fazem o olhar de qualquer pessoa brilhar. Mas o produto mais procurado ainda é o pão francês. Por dia, a Pão Dourado produz uma média de 1,2 mil pães que, segundo Domingos, são o carro-chefe do negócio.

“A maior parte dos outros estabelecimentos trabalha com o produto congelado. Nós temos uma produção própria diária. Você chega toda tarde e compra todos os tipos de pão fresquinhos, isso faz com que o cliente volte”, contou orgulhoso.

O cliente, inclusive, não tem um perfil só. Segundo Domingos, desde crianças até senhores de 80 anos frequentam o local. Tem até os clientes que há 21 anos fazem compras no caderno e pagam certinho, segundo o empresário: sempre entre o dia 5 e o dia 10 de cada mês.

“É uma padaria que fica perto da minha casa e a gente sempre foi bem recebido. A gente sempre é cumprimentado tanto aqui quanto na rua, quando Seu Domingos vê a gente. São gente do bem mesmo. Eu indico pra todo mundo que eu conheço pela qualidade dos produtos”, disse o policial civil João Carlos, de 55 anos, cliente da padaria há 12 anos.

Cliente há 12 anos, João Carlos aproveitou a comemoração para fazer uma selfie (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Sucesso do negócio

E não é só essa a chave do sucesso. Domingos sempre acreditou em três conceitos em seu negócio: trabalho, dedicação e honestidade. Mas foi com o envolvimento dos problemas da comunidade que ele encontrou este público cativo.

Auxiliar em causas sociais, pensar no bem-estar e se preocupar com os problemas que o bairro enfrenta fez com que as pessoas passassem a admirar o dono da padaria e valorizassem o negócio.

“Nós somos colaboradores da comunidade. Toda a parte social de necessidade da comunidade nunca deixamos a desejar, sempre colaboramos com a igreja, a Casa da Mãe Joana, o Hospital do Câncer ou até pessoas que precisam de alimento. A gente forma um grupo e consegue isso. E isso fez com que a empresa sobrevivesse até hoje, com todas as crises”, pontuou.

A valorização dos funcionários também é um fator que contribuiu para o sucesso. Domingos conta orgulhoso que ele já auxiliou quatro ex-funcionários a abrirem seus próprios negócios. Os demais, ele incentiva que estudem e prosperem em suas vidas.

Perguntado se aprendeu a gostar do seu bairro, o CPA, Domingos não tem nenhuma dúvida: “Muita gente diz que o CPA fica longe do Centro, né?! O que essas pessoas não sabem é que o Centro é aqui”, finalizou.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

O LIVRE ADS