Citado por Silval, Antonio Joaquim diz que vai tentar anular delação

Ednilson Aguiar/O Livre

Conselheiro Antonio Joaquim

O presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE), Antonio Joaquim, afirmou que irá pedir a anulação da delação do ex-governador Silval da Cunha Barbosa (PMDB). Ele diz que Silval mentiu ao falar sobre a compra de uma fazenda em Livramento na qual o ex-governador seria um ‘sócio oculto’.

“Eu vou pedir para o meu advogado pedir a anulação da delação do Silval nessa questão porque ele mente. Ele fala que foi R$ 4 milhões. Na escritura pública, registrada em cartório, está lá R$ 6,7 milhões”, disse Antonio Joaquim.

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O conselheiro participou nesta terça-feira (29) de sua última sessão do TCE. Ele entra de férias e já anunciou que vai se aposentar do tribunal para voltar à vida política. Antes de ser indicado ao órgão, ele foi deputado estadual por dois mandatos, deputado federal por um mandato e ainda ocupou secretarias do governo do Estado.

De acordo com o depoimento do ex-governador, a compra da fazenda em 2012 fez parte de um esquema de lavagem de dinheiro. A transação feita entre Antonio Joaquim – antigo dono da área – e o empresário Wanderley Fachetti, dono da construtora Trimec e suposto comprador da propriedade, teria como objetivo ocultar a presença de Silval e também de subfaturar o valor do contrato.

Valores obtidos de propinas da contratação da Trimec junto à Votorantin, repasses ilícitos de contratos no Detran-MT para Antônio Barbosa – irmão de Silval – com concordância de Antonio Joaquim, além de propinas da Trimec para gestão do maquinário em obras de recapeamento de rodovias foram utilizados no pagamento pela fazenda.

“Aí vem o ex-governador dizendo que é sócio. Se ele é sócio do Wanderley, o que eu tenho a ver com isso. Aliás, eu acho que o Wanderley tem que se manifestar. Eu não acredito ainda que ele falará que era laranja do ex-governador Silval”, disse Antonio Joaquim.

“Para eu saber se o dinheiro veio do empreiteiro ‘x’, do marqueteiro ‘y’, poxa vida, é muita injustiça comigo. Eu diria covardia, é má fé. Dizer que eu teria que saber que havia negócios ocultos. Eu não sou a Polícia Federal”, afirmou.
Ele afirma que os pagamentos pela fazenda foram feitos entre 2012 e 2014 de forma comum, via depósito bancário, e constam em sua declaração de Imposto de Renda.

R$ 53 milhões ao TCE
Silval também afirma que Antonio Joaquim recebeu parte dos R$ 53 milhões pagos a conselheiros do TCE para que fossem liberadas obras do programa MT Integrado, que incluía obras da Copa do Mundo de 2014.

“Eu quero afirmar mais uma vez que nunca recebi e nem autorizei qualquer pessoa a receber qualquer vantagem indevida em relação à minha atuação neste tribunal”, disse. “Eu desafio o ex-governador Silval e os outros delatores… o Pedro Nadaf – qualquer um deles – a encontrar um fiapo de prova contra mim”.

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