Cinco perguntas para uma fisioterapeuta especializada em disfunções do assoalho pélvico

Área trata disfunções relacionadas a força muscular, lubrificação, dores pélvicas ou lesões

Você já reparou se acontece um “escape” de xixi quando tosse ou faz algum esforço físico? O caso é uma disfunção que pode ser facilmente tratada com uma fisioterapia pélvica.

Fisioterapeuta há nove anos, Juliana Miranda é uma das especialistas em assoalho pélvico que atua em Cuiabá. Segundo ela, a área ainda enfrenta tabus, principalmente por parte dos homens. No entanto, tem conquistado seu espaço.

Ao LIVRE, a profissional explicou que a área trata de qualquer disfunções do assoalho pélvico, seja ela relacionada a força muscular, lubrificação, dores pélvicas ou lesões. É também ela quem trata das incontinências urinárias e fecais. A fisioterapia também é indicado para pós-cirúrgicos de próstata e pós-parto.

No entanto, não se engane. Segundo a fisioterapeuta, crianças acima de dois anos já podem fazer o tratamento, que não precisa de encaminhamento médico. “Se a pessoa perceber qualquer escape de urina ou cocô depois de um esforço, já é indício de disfunção no assoalho pélvico. Ejaculação precoce também”, explicou.

Em média, um atendimento leva 50 minutos e dependendo da disfunção, a partir da quinta sessão já é possível ver melhoras.

Se relacionada à sexualidade, é possível falar até mesmo em cura, como explica Juliana. O tratamento pode ser finalizado em até um mês, dependendo das sessões semanais. Para isso, é necessário passar por avaliação, feita de forma intracavitária, ou seja, com toque das mãos e aparelhos.

Abaixo, confira algumas curiosidades da área:

1 – Por que a doutora se interessou por essa área da fisioterapia e como ela funciona?

Juliana Miranda: Eu tive todos os casos de disfunções pélvicas (risos). Aos 26 anos, depois de duas gestações, eu percebia que eu tossia, espirrava, ou pegava as crianças no colo e o xixi escapava. Eu já era fisioterapeuta, mas trabalhava com pacientes neurológicos. Comecei a pesquisar para me tratar e passei a perceber que outros pacientes também tinham as disfunções. Quando eu vi eu estava trabalhando só com isso e tinha abandonado a neurologia.

O tratamento envolve exercícios, uso de aparelho de eletroestimulação e captação desse aparelho, e o treino funcional. O final do tratamento é treinar na função, descobrir qual é a situação de perca urinária e ensinar esse paciente a ter boas contrações e relaxamento de assoalho pélvico.

Quando é um paciente de disfunção sexual, a gente faz o tratamento no consultório, sem o treino, mas a paciente vai avaliando nas experiências que ela tem, para ver o resultado.

2 – A fisioterapia tem relação com a libido e os orgasmos?

JM: Sim, tudo a ver. Algumas mulheres vêm para cá dizendo que a libido está diminuindo. Quando fazemos a avaliação, a gente descobre que a musculatura não está trabalhando adequadamente, nem o clítoris está exposto o suficiente para entrar em contato com o corpo do parceiro. Então a gente trabalha a parte muscular, para que funcione melhor a lubrificação e a experiência orgástica dela seja melhor. Assim ela vai aumentando a libido.

3 – A prática da fisioterapia também pode deixar o canal vaginal mais apertado?

JM:  Sim. A fisioterapia vai trabalhar melhorando a capacidade de elasticidade, alongamento dos músculos da vagina. Assim, ela melhora a flexibilidade e deixa de sentir dor. Trabalhando essa aderência melhor da vagina ao pênis, a experiência orgástica dela vai ficar melhor e a libido também. A gente trata também os flatos vaginais, que são os gases. Também uma perda de elasticidade.

A gente só perde essa capacidade de ficar fechada quando tem o encurtamento muscular. A vagina tem que se manter fechada, e quanto tem o estímulo ela abre e adere ao pênis. A fisioterapia não deixa ela mais apertada, deixa ela capaz de fazer o serviço. Entrou, ela abre, adere e dá a sensação de ser apertada.

No encurtamento muscular, a vagina parece um tubo. Ela perde a capacidade de movimento. Dá a impressão que o pênis está solto lá dentro. Muitas mulheres que tiram o útero tem essa sensação. 90% das pacientes tem melhora nesse quadro.

4 – Qual é a diferença entre a fisioterapia e a prática do pompoarismo?

JM: O pompoarismo são contrações do assoalho pélvico e a expulsão. Uma mulher que tem uma baixa força muscular, um encurtamento muscular, se ficar treinando contrações, pode potencializar esse encurtamento, e ainda causar um prolapso – a queda de algum órgão. Porque ela já não tem elasticidade e ficou forçando para fora. Além disso, ele não pode ser feito em qualquer pessoa.

Fisioterapia pélvica avalia a musculatura, coordenação motora, elasticidade e ai vamos treinar a contração, mediante necessidade daquela pessoa. Cada um tem sua resistência muscular, a necessidade de contrair ou o tipo de contração a ser feita. A gente precisa estudar onde está a necessidade daquela pessoa.

5 – E o que difere a fisioterapia do tratamento estético?

JM: Não adianta pensar só em estética, tem que pensar em cura também. O problema do tratamento estético é que não avalia a função muscular. Eu só olho a pele, a coloração como é que estão. Mas como a gente vai trabalhar com flexibilidade, se potencializar demais uma força muscular, vai piorar o problema.

O ácido só vai clarear a pele, mas a função continua a mesma. Tem o rejuvenescimento íntimo, que eu faço, mas pensando na função. Muda as características da pele, da vagina, mas vai mudar por dentro também, a capacidade de evacuação, de contenção de fezes, gases e urina também.

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