Cinco perguntas para o médico-deputado que fez o 1º transplante renal de MT

Com apoio de Virgínia Mendes ele luta pela retomada dos transplantes em MT

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Médico conhecido em Mato Grosso por fazer o primeiro transplante renal do Estado, o deputado estadual Doutor João José (MDB-MT) se orgulha de ter, segundo ele, traçado um caminho diferente na política. Foi eleito deputado estadual gastando R$ 213 mil e conquistou 19 mil votos.

Português, ele veio para o Brasil com três anos de idade. Aluno de escola pública, precisou fazer cursinho para entrar na universidade pública. Até o cursinho, nunca tinha ouvido falar em trigonômetra ou em geometria analítica.

Morador de Tangará da Serra (250 km de Cuiabá) há 10 anos, ele conta que se acostumou à rotina da cidade, curte comprar frango caipira na feira e ir ao mercado todo domingo. A ideia de ser candidato partiu do seu filho, que se formou médico [Rafael Vidigal de Matos] e morreu aos 36 anos, de infarto fulminante.

1 – O que mudou da sua rotina de médico do interior para deputado na capital? 

Eu já havia morado por 25 anos em Cuiabá. Dava assistência em quase todos hospitais da cidade em nefrologia. Estava em Tangará da Serra porque abrimos uma clínica de hemodiálise e fomos para lá. Primeiro era para ficar seis meses, mas o tempo foi passando e passando, agora ninguém mais quer deixar Tangará. Minha filha tem as amigas dela, vai de bicicleta para todo lugar, é algo que não temos aqui.

Quanto ao serviço público, é mais lento do que eu imaginava. Tem mais 23 deputados aqui, tenho que lidar com eles, lidar com os secretários de Estado e com o governador Mauro Mendes (DEM).

Minha região, mesmo, tem um problema de estrada que não é simples de resolver.

2 – O LIVRE fez um levantamento mostrando que houve um afrouxamento nas exigências para concessão das estradas da região de Tangará. Sendo o representante da região, como o senhor atua nisso?

Falei com a Sinfra e a negociação foi de que o Estado vai fazer a recuperação da estrada e deixar para a concessão apenas a manutenção, com a necessidade de poucos investimentos.

3 – Quando os transplantes renais voltarão a ser realizados em Mato Grosso?

Desde o primeiro dia que estou aqui [na Assembleia] eu estou lutando para a retomada dos transplantes em Mato Grosso, articulado com a primeira-dama, Virginia Mendes, que é uma transplantada renal.

Acredito que no mês de outubro já estaremos com tudo pronto para começar a operar no Hospital Santa Rosa, nesse primeiro momento. A equipe técnica já fez curso para começar com as cirurgias. Inclusive o transplante de cadáver [quando há morte cerebral e órgãos ainda podem ser retirados, mas com a liberação da família].

4 – Há quatro médicos deputados hoje na AL-MT… todos são muito consultados?

Como deputado eu não posso mais atuar como médico, mas me pedem orientação, sim, eu digo o que penso e encaminho para um médico. Esses dias mesmo Wilson Santos (PSDB) me pediu auxílio para uma idosa. Eu vi os exames dela e encaminhei para um médico.

Na votação do imposto [nova lei de incentivos fiscais] eu também fui muito procurado pelos colegas deputados para pedir orientação. Eles estavam com um grau de estresse elevado. Eu mesmo tive um piripaque um dia desses… fiz cateterismo e vi que não tenho nada de veia entupida.

O Doutor Gimenez (PV) também fez cateterismo e colocou dois stents. 

5 – Como um bom português, o senhor tem uma receita de família?

Tem uma receita de um bacalhau de família bom e barato. Eu não uso aquele bacalhau dessalgado. Esses dias eu vi em um mercado aqui que o quilo dele custa R$ 150. O que eu uso está R$ 30 o quilo.

O que eu compro vem salgado e eu dessalgo por dois dias, vou trocando a água…

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