Cinco Perguntas para o Árbitro Margarida, sobre seu jeito de apitar: “Sofri muito preconceito”

Clésio Moreira dos Santos em entrevista ao Livre falou sobre a criação do personagem ‘Margarida’, carreira, preconceito e jogadores que marcaram sua vida.

Aposentado e aos 60 anos de idade, o Margarida Árbitro Show ainda não deixou de apitar. Agora seus trabalhos são em campeonatos amadores e eventos corporativos. Dono de uma forma irreverente de correr, apitar e gesticular em campo, Clésio Moreira dos Santos é o árbitro de futebol mais querido do país. Talvez o único que tem a capacidade de agradar torcedores dos dois lados e jogadores dos times em campo.

Nascido em 1958, o ex-árbitro do futebol brasileiro deu início a sua carreira apitando em “peladas”. Só em 1988 fez um curso para árbitro e então começou a atuar em jogos das categorias de base.

Sua estreia no quadro de árbitros da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) foi em 1995, quando apitou o jogo entre o Internacional e Flamengo, em Porto Alegre (RS).

Confira as cinco perguntas respondias com exclusividade para o LIVRE e conheça um pouco sobre sua trajetória no esporte e o registro histórico deixado por ele no futebol nacional.

Saudades de apitar jogos?

Saudades eu não tenho porque eu tenho uma carreira bem ativa. Todo final de semana [estou] em campo de futebol. Não só no Brasil, mas pelo mundo todo. Mas o dia que eu parar o apito vai dar saudade sim.

Qual foi o jogo mais importante da sua vida?

Tenho vários jogos importantes dentre eles decisões de campeonatos estaduais. Mas eu acho que o jogo mais importante da minha carreira foi em 1995, na minha estreia no quadro da CBF envolvendo Internacional e Flamengo em Porto Alegre. Acho que esse foi o mais importante.

Você sofreu algum tipo de preconceito durante a sua carreira por sua performance; como foi lidar com isso?

Bastante. Não só da torcida, como dos companheiros de arbitragem. Sofri muito preconceito na época. Mesmo porque eu digo pra todo mundo que eu sou o precursor de colocar uma cor tão feminina, que é a rosa, dentro de um esporte tão machista, que é o futebol. Sofri muito preconceito sim. Menos com os jogadores. E eu tinha que lidar com isso. Estava criando um personagem e esse personagem tinha que fazer sucesso e fez um sucesso que está até hoje aí, pelo Brasil e até mesmo no mundo.

Geralmente os jogadores e torcida não tem uma relação muito amigável com os árbitros, mas você vai na contramão disso. Como é ser o árbitro mais querido do Brasil?

Eu digo pra todo mundo assim, eu acho interessante, a gente desembarca em um aeroporto, querem uma foto; em hotel, querem uma foto; um restaurante, querem uma foto; no supermercado, querem uma foto. Acho que a maneira peculiar que a gente criou de arbitrar o futebol, deu certo. É uma coisa que deu certo desde 1994 e a gente vai tocar assim. Enquanto Deus puder nos dar vida, saúde, disposição e perseverança para levar alegria ao torcedor, eu vou continuar fazendo assim.

Teve algum jogador que te marcou de alguma forma específica em sua carreira?

Tem jogadores que me marcaram bastante. Mas assim, de forma específica negativa, lá um ou outro e esse vamos deixar na lacuna. Agora o que teve de jogador que me marcou pela forma exuberante, vibrante e de gostosura, vários.

Tem se discutido nos programas de televisão que os árbitros têm se mostrado muito, dizem que querem pegar um protagonismo. O que você acha disso?

Acho que tudo que é bom tem que ser continuado. Eu espero que a arbitragem brasileira tenha também outros árbitros Margaridas, outros árbitros folclóricos e divertidos. O futebol é uma diversão. O futebol é uma alegria e eu acho que aonde tem alegria e tem diversão e, principalmente, onde tem a bola, tem que ter outro Margarida.

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