Dois nanoengenheiros da Universidade da Califórnia “transformaram” algas verdes em microrrobôs capazes de transportar remédios quimioterápicos de forma mais eficiente até tumores. Os testes foram feitos em casos de câncer de pulmão em camundongos.
A alga da espécie Chlamydomonas reinhardtii é composta por uma única célula e dois flagelos (rabinhos), por isso, é capaz de nadar. Seu tamanho é de aproximadamente 10 micrômetros de diâmetro.
Para saber quanto mede um 1 micrômetro você precisaria conseguir dividir 1 milímetro em 1 mil partes.

Como funciona?
Pois bem, Joseph Wang e Liangfang Zhang criaram uma espécie de “mochila” para acoplar nessas algas. Dentro da mochila, vai o medicamento. E ela só se abre quando a alga chega até a célula câncerígena.
As “mochilas” foram feitas com membranas de glóbulos vermelhos (sangue). Por isso, se abriam no momento certo: quando em contato com a célula de tumor.
Além disso, elas também protegeram o medicamento do ataque de células do sistema imunológico do corpo.
Com isso, segundo reportagem da revista The Scientist, o sistema de transporte via microrrobôs fez o remédio ficar por mais tempo nos pulmões dos camundongos, o que aumentou sua eficácia.
Atualmente, os remédios quimioterápicos são injetados por via oral (em pílulas) ou intravenosa (através de uma agulha na veia), o que faz com que se dissipem mais rapidamente no corpo.
Como as algas sabem onde está o câncer?
Bom, elas não sabem (ainda!). Nesse ponto, o tratamento funciona da mesma forma que o atual.
Os medicamentos quimioterápicos são projetados para atacar células que se dividem rapidamente, pois esse é o padrão de comportamento das células de câncer.
É por isso, por exemplo, que quem passa por tratamento de quimioterapia costuma perder os cabelos. Os folículos capilares também são células que se dividem rapidamente.
E se você está se perguntando “esses microrrobôs não fazem mal à nossa saúde?”, saiba que Chlamydomonas reinhardtii são algas bastante presentes no solo e em água fresca, ou seja, elas são “biocompatíveis” conosco.
Se você quiser uma explicação mais técnica e detalhada do experimento, clique aqui e leia a reportagem da The Scientist na íntegra.




