Chef Eliane Carvalho ressurge em Cuiabá comandando o Ethann

Pratos que caíram no gosto dos paladares mais exigentes da capital, estão de volta em versões repaginadas

(Foto: Suellen Pessetto/ O Livre)

Não é novidade que as delicias criadas pela chef Eliane Carvalho são capazes de fazer sua clientela viajar quilômetros de distância para matar o desejo de boa comida. O que é novidade é que a premiada chef está de volta a Cuiabá, à frente de um novo restaurante, o Ethann, que fica na Praça Popular.

Eliane, que já comandou o Chez Babette e os restaurantes Brie de Cuiabá e São Paulo, recebeu o LIVRE no novo estabelecimento. Na oportunidade falou sobre voltar a cozinhar em Cuiabá, projetos e a paixão pela arte culinária. Tudo de forma muito carinhosa e divertida.

A chef despertou para a cozinha aos 17 anos, assim que se casou. Amava ver a avó cozinhar, mas era proibida de se aproximar das panelas por fama de desastrada. “Tentava por inúmeras vezes me arriscar na cozinha, mas minha avó me colocava para correr. Dizia que eu era muito frenética e morria de medo de que incendiasse a casa toda”, relembra Eliane aos risos.

Assim que teve sua própria cozinha, ela pode desbravar e também cometer os erros de principiante comuns a todos que buscam a perfeição. “Me sentia a verdadeira Alice no país das maravilhas. Cozinhar era divertido e, claro, desastroso em alguns momentos. Eu estava me descobrindo na cozinha e era desafiada pelas comidas que não davam certo. Foram muitos bolos queimados, muitas receitas que foram parar no lixo e, por conta própria, aprendi”.

Vendo o despertar para o dom, Eliane percebeu que era hora de levar a comida a sério. Mesmo sendo mãe de três filhas, decidiu ir para a França estudar na mais renomada escola de gastronomia do mundo: Le Cordon Bleu. “Quando vi que já estava afinada, fui estudar, e foi preciso ser forte”, ela lembra.

Ao retornar para Cuiabá, a chef abriu o Chez Babette. Isso ocorreu em 2001, uma época em que provar comida francesa na Capital de Mato Grosso era algo muito distante da realidade da maioria das pessoas. Pioneira e destemida, Eliane cativou os cuiabanos com criações que são pedidas até hoje por quem frequenta seu restaurante.

Ethann e a cozinha a oito mãos

Eliane idealizou o restaurante Ethann – desde o cardápio até o ambiente – há dois anos, quando soube que o ponto – onde ficava o restaurante oriental Japô – estaria à disposição. Aos poucos, o novo espaço tomou forma, ganhou nome e a identidade da chef, do marido, Luiz Antônio Possas Carvalho, e das filhas Natasha e Bianca. Já a filha mais velha, Irene Carvalho optou por seguir a carreira de jornalista e ser a degustadora oficial da família.

(Foto: Suellen Pessetto/ O Livre)

Ethann significa prosperidade e é uma palavra de origem hebraica. “Por tempos, fui associada e rotulada de cozinha unicamente francesa, algo que me limitava. A cozinha francesa é vista como insaciável, cara e para poucos. Mas meus pratos vivem em constante evolução, até porque criar me move. Tenho pratos de vários lugares por onde passei e experiências que vivi. Então, Ethann remete a isso: a evolução, a prosperar, caminha para frente”, ela explica.

Cozinhar para pessoas que já viajaram por cantos e gostos dos cinco continentes faz da cozinha algo ainda mais desafiador para a chef, que no cardápio optou por fazer releituras de seus pratos mais aclamados de Cuiabá e São Paulo.

Eliane, marido e filhas se transformam em um grande time quando vestem a dólmã, mas a paz e o foco dominam o ambiente. “Comida tem energia, então, me preocupo em colocar amor e dedicação em tudo que sai de nossas mãos. É uma cozinha gostosa de trabalhar. Meu marido e minhas filhas sentem o mesmo prazer que eu em cozinhar e vejo que logo minha neta, Antonella – filha de Irene -também entrará para o time”, diz Eliane, cheia de orgulho, sobre a menina de cinco anos que já se aventura na cozinha.

Comida recheada de paixão

O forte vínculo entre Eliane e os alimentos que passam por suas mãos só reforçam sua paixão em cozinhar. Sua sensibilidade diante das panelas, trazem para a chef o equilíbrio, tanto para dias de festa e comemoração entre amigos, quanto para aqueles em que sente que precisa cozinhar enquanto devaneia sobre situações do cotidiano.

“É minha válvula de escape. Cozinho quando estou feliz. Cozinho quando não estou nos meus melhores dias. Isso me traz de volta para meu eixo. Minha família só se alimenta das coisas que eu preparo. Meu elo com a comida é totalmente passional”, se derrete ao dizer.

Eliane com as filhas e marido (Foto: Arquivo pessoal)

A preocupação da chef em agradar a clientela já rendeu boas histórias. No antigo Brie, em São Paulo, Marta Suplicy – na época ministra do governo Dilma Rousseff (PT) – pediu um risoto de camarão e maçã verde, mas com uma ressalva: sem o camarão.

“Eu fiquei intrigada e fui até a mesa perguntar se ela tinha alguma intolerância. Tudo que ouvi foi que ela gostava do gosto do camarão, mas não da textura. Voltei para a cozinha achando aquilo engraçado e fiz como ela desejava. Risoto de camarão e maçã verde, sem camarão. Não carrego a vaidade de obrigar as pessoas a comerem o que eu criei. Se existe a possibilidade de agradar e satisfazer, por que não? Vejo colegas que questionam se o pedido do cliente pode ou não combinar no paladar. Isso é besteira. O que combina é gente feliz. Comer deve ser prazeroso sempre”, disse a chef sorridente.

Pratos como esse, cheios de histórias podem ser revividos pelos amantes da culinária executada pela chef Eliane no novo Ethann. Dentre os projetos, em breve, Eliane vai servir um chá da tarde. Receitas apetitosas como Madeleine, Croissants e creme brulee estarão entre as tantas delicias do chá.

O espaço também fica disponível para eventos como noivados, aniversários ou reuniões.

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