Cena Livre celebra conquistas ao realizar primeiro festival de teatro em julho

Em pouco tempo, grupo aglutinou estudantes e artistas, além de estrear peça e promover mostra

Dos primeiros passos até a consolidação do curso de extensão, nos últimos três anos, o Cena Livre tem colecionado conquistas. O coletivo de artes cênicas da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) – que surgiu na UFMT -, agrega cada vez mais artistas, e hoje, desenvolve mostra própria com encenações de esquetes e espetáculos e ainda, estreou o primeiro projeto autoral, o “Factóide”, de Lucas Lemos.

Agora, os integrantes do Cena Livre preparam-se para dar início a mais uma empreitada. Juntos, arrematam os detalhes do primeiro festival de cenas curtas do grupo, que acontecerá nos dias 11 e 12 de julho, no Teatro da UFMT. A preparação ocorre ao tempo em que os alunos participam das aulas, todo sábado, às 14 horas, no Centro Cultural da UFMT. Valores arrecadados na bilheteria serão repassados a entidades sociais.

De acordo com um dos veteranos do grupo, Lucas Lemos, tudo começou com algumas reuniões sucintas do Confraria H – grupo de artistas do tradicional cuiabano – e o “Pessoal do Ânima” (antigo CEFET), no fim de 2015. Em 2015 e 2016, houve o início da formação atual, que em grande parte estudou no atual IFMT e começou a propor encontros de experimentos aleatórios. Coisa entre entusiastas mesmo. E foi a partir disso que o projeto começou a ter forma. O fundador do grupo, Leosan Sampaio, tomou frente da iniciativa e manteve por perto amigos experientes.

“A gente vem do (Pessoal do) Ânima, né. Eu, os meninos, Everton Brito, Benone Lopes, Péricles, Talita Figueiredo, Leandro Brito, Luciano Mello e outros vários fizemos escola com Gilberto Nasser, então somos companheiros de cena há anos. A gente sempre foi muito unido e o palco reuniu ainda mais nossos interesses e afetos”, apontou.

Como todo início de um projeto exige bastante dos envolvidos, houveram tempos em que o engajamento não era o mesmo e o por vezes o auditório do Centro Cultural da UFMT, local que acolhe o projeto, ficava vazio.

“A gente sofreu muito com a falta de presença dos estudantes no primeiro ano do projeto. Era bem complicado, o grupo ainda não era extensão, não éramos reconhecidos, não era ‘oficial’, então, na verdade, só existia uma grande experimentação e grande força de vontade de continuar”, disse Lucas Lemos, aluno veterano, que hoje divide a orientação ao lado do idealizador do projeto, Leosan e o apoiador, Benone Lopes.

Interação com outros grupos

E, por ser fruto de um grande esforço coletivo, a equipe, em seu pouco tempo de existência, já realizou intercâmbios com outras células de teatro locais, como o Teatro Fúria, a Cia. Solta de Teatro, o ator Eduardo Butakka e o grupo circense Leite de Pedras.

“A gente sempre teve esse caráter colaborativo. Trabalhamos juntos e acolhemos uns aos outros, pois seguimos o Teatro do Oprimido, do teatrólogo brasileiro Augusto Boal, e acreditamos no teatro como instrumento social, que pode, de fato, provocar mudanças no sujeito social”, declara Leosan. No começo de 2017 eram apenas quatro, mas seguiram na resistência. Segundo Lucas, foi nesta mesma época que Leosan, focado no objetivo da estabilização do grupo na faculdade, com o esforço da professora Ana Maria Marques, conseguiu a aprovação do que levaria o projeto a se tornar uma iniciativa de extensão.

Logo, o número de membros saltou para 17 integrantes, e assim, conquistaram muitas horas em certificados de atividades complementares, pesquisa, dois espetáculos e assinatura dramatúrgica própria. Além da mostra dos resultados, o coletivo se apresentou na Semana de Extensão da UFMT, em oportunidades no Restaurante Universitário, no SemiEdu 2017 e em saraus do Instituto de Letras (IL) e do Instituto de Computação (IC).

Ator experiente, da Solta Cia de Teatro, Benone Lopes, destaca a parceria e a importância das conexões entre grupos locais. “Eu sou muito satisfeito com o que vejo hoje em nossos encontros. Quando a gente começou isso, nunca imaginamos que em tão pouco tempo ia crescer tanto, e hoje é o nosso orgulho! Temos um grande e potente grupo em cena”, declara.

Bolsistas, colaboradores e professores costumam falar com bastante entusiasmo sobre a equipe. Especialmente, por conta do número crescente de interessados. Outra integrante do Cena Livre, Ana Carolina de Mello, se alegra com os resultados. “Tivemos 300 inscrições no processo seletivo de 2018. Quando lançamos a campanha na página, não pensávamos nesse resultado. Depois, olhei no dia seguinte o nosso e-mail e já tinha uma página completa com gente se inscrevendo para a turma de 2018. Parei e pensei no desespero do início do ano anterior, o esforço que a gente tinha pra dar continuidade nos processos criativos… E só pude agradecer”, relembra.

Primeiro trabalho dramatúrgico autoral

Foi com “Factóide”, peça escrita por Lucas Lemos e com colaboração de Marcella Gaioto, que o grupo estreou um projeto próprio. A história gira em torno da vida de Gab (personagem de Ana Carolina Mello), humanóide insatisfeito, que tem de entregar um relatório às pressas em seu emprego; Angélica (Fabiola Karen e Yasmin Moreira), artista plástica consagrada e que vive em luto e Arcanjo (Lucas Lemos), professor autoritário e dissimulado.

A vida dos três personagens, apesar de estarem durante grande parte do tempo juntos em cena, liga-se diretamente pelo tempo e dramas rotineiros no futuro, onde há muito avanço tecnológico e crescimento do inumano, somados a superficialidade das relações interpessoais. “Escrevi a peça num momento em que refletia e estudava muito sobre isso: como a tecnologia tem influenciado em nossas vidas, como isso reflete em nosso comportamento, e como esse reflete na sociedade, como lidamos com isso?”, diz o jovem dramaturgo.

A peça volta em cartaz durante o festival a ser realizado em julho. O objetivo é fazer a primeira temporada de Factóide ainda esse ano e se puder, leva-la para circular por principais palcos da capital.

Para ficar por dentro de todas as ações do Cena Livre de Teatro, é só acessar no Facebook ou pelo Instagram @cenalivreufmt.

(Com Assessoria)

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