Casos de feminicídio aumentam 100% durante meses de isolamento social em MT

Enquanto isso, as denúncias param de chegar às delegacias. Em Cuiabá, crimes de assédio sexual, por exemplo, apresentaram queda de 50%

Imagem ilustrativa (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Doze mulheres foram assassinadas em Mato Grosso entre março e abril. A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) vem tratando os casos como feminicídio, quando o crime é cometido pelo simples fato de a vítima ser uma mulher.

Os dados são do Observatório de Violência da Sesp e apontam para um crescimento de 100% em relação ao mesmo período do ano passado, quando não havia pandemia de coronavírus e, portanto, a determinação para que as pessoas fiquem dentro de casa, em isolamento social.

Entre março e abril de 2019, seis homicídios desse tipo foram registrados.

Em 2020, o pior mês foi março, quando a quarentena teve início em Mato Grosso. Ocorreram sete assassinatos, contra dois no mesmo período do ano anterior.

Quando analisados os números dos primeiros quatro meses de 2020, também é observado um aumento de feminicídios em relação ao mesmo período do ano passado.

Entre janeiro e abril deste ano, 22 mulher foram assassinadas nestas condições em Mato Grosso. Em 2019, foram 15, o que representa um acréscimo de 47%.

A Sesp lembra que estes casos ainda serão investigados, por isso, trata-se de um levantamento preliminar. A princípio, as evidências nas cenas dos crimes apontam para assassinatos cometidos por discriminação, mas a polícia pode chegar a conclusões diferentes, quando os inquéritos forem concluídos.

A maioria dos crimes foi cometido com faca ou outros objetos cortantes (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Outras causas

O dados do Observatório também revelam os homicídios de mulheres de todas as idades por outras motivações.

Se não forem considerados apenas os possíveis feminicídios, ocorreram 28 mortes entre janeiro e abril de 2020, ou seja, três a menos que no mesmo período do ano passado.

Do total de casos deste ano, um ocorreu em Cuiabá e o restante em municípios do interior.

Entre as motivações estão a passional (57%), vingança ou rixa (11%), drogas (7%), fútil (7%) e erro de execução (4%). Outros 14% desses crimes ainda não têm uma causa clara para a polícia.

Mais da metade dessas mulheres (54%) foi assassinada com armas cortantes ou perfurantes. Armas de fogo foram usadas em 21% dos casos. Já a força muscular ou armas contundentes foram aplicadas em 7% dos casos.

Denúncias diminuíram

Enquanto isso, o número de mulheres que procurou a polícia para denunciar casos de agressão caiu nos primeiros quatro meses deste ano, em comparação com 2019.

Foram registrados 12.707 boletins de ocorrência em 2020. No mesmo período do ano passado, foram 14.757, ou seja, 14% a mais.

Os crimes de ameaça foram os que tiveram a maior redução nas denúncias, passaram de 6.889 registros para 5.871, uma queda de 15%.

Lesões corporais foram denunciadas 8% a menos e estupros tiveram uma queda de 5%, se consideradas apenas as ocorrências que chegam ao conhecimento da polícia.

Só em Cuiabá, o crime de assédio sexual, por exemplo, teve uma queda de 50% – pelo menos nos registros policiais.

Socorro

De acordo com a Secretaria de Segurança Pública, todos os canais de denúncia e socorro continuam funcionando normalmente, mesmo no período de isolamento social.

Estão à disposição os disques-denúncia 190, 197, 180 e 181.

Além disso, as delegacias mantiveram o atendimento presencial normal, assim como a Patrulha Maria da Penha, que faz rondas para atendimento às vítimas que possuem medida protetiva.

Algumas Delegacias Especializadas de Defesa da Mulher também criaram, em função do período de isolamento social, canais para denúncias e atendimento psicológico pelo  WhatsApp.

Em Cuiabá, o número (65) 9.9973-4796 está disponível para as vítimas. Em Várzea Grande, a Delegacia que investigas de crimes contra mulheres, crianças e idosas criou o número (65) 9.8408-7445.

(Com Assessoria)

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