Carnaval de rua: municípios terceirizam evento para manter programação

“Ninguém tira dinheiro da saúde, educação ou qualquer outra área para investir em carnaval”, garante presidente da AMM

Carnaval de Chapada dos Guimarães. Foto: Mayke Toskano

Boa parte dos municípios de Mato Grosso onde a celebração de Carnaval já é tradicional cancelou a programação deste ano. É o caso de Cuiabá, que optou por “adiar” o desfile dos blocos para 8 de abril, aniversário de 300 anos da Capital. Algumas cidades, no entanto, decidiram manter a folia através da terceirização dos eventos e com a perspectiva de movimentar a economia local.

Assim como Jangada e Lambari D’Oste, Chapada dos Guimarães é uma das poucas cidades a manter o evento sob realização da Prefeitura, que prevê um investimento de R$ 34,5 mil para o fechamento de rua, projeto de segurança para Corpo de Bombeiros, brigadistas e instalação elétrica.

De acordo com o município, o valor deverá ser arrecadado com alvarás das barracas, restaurantes, bares, ambulantes e blocos.

Já a estrutura do “Chapada Folia”, que contempla tendas, água e abadás, por exemplo, será cedida a empresas e cooperativas parceiras. A infraestrutura de segurança e saúde está sendo articulada com secretarias estaduais.

Chapada espera receber mais de 30 mil pessoas entre os dias 2 e 6 de março em atividades culturais, como o tradicional desfile dos blocos carnavalescos e oficinas, sem investir dinheiro público, que será destinado a outras áreas.

Carnaval terceirizado

O Carnaval de rua de Acorizal, por sua vez, é realizado pelas empresas Ice Pop Fest e Paparazzo Produções desde 2018.

“A prefeitura nos autorizou a realizar o evento e nós assumimos toda a programação e estrutura, como banheiros, tendas, palco e segurança privada. O município nos apoia com os encaminhamentos, solicitação de policiamento, etc.”, explica o produtor Luiz Eduardo.

A organização do evento espera superar o lucro do ano passado, com expectativa de público de 4 mil a 6 mil foliões. “Principalmente por ser uma das únicas opções. No ano passado, a gente concorreu com shows nacionais na Orla em Cuiabá, Livramento, realizamos o Carnaval de Poconé, mas este ano está quieto. Só Chapada dos Guimarães mesmo”.

A organização, que orçou o evento em R$ 144 mil este ano, explica que nem sempre há lucro. “Nós não cobramos portaria, mas a gente aluga o ponto para o comércio. É o que ajuda a arrecadar o valor do custeio. Mas a arrecadação vem principalmente da venda de bebidas, que é mais expressiva no período”.

Barra do Garças também recorreu à iniciativa privada para custear o “Araguaia Folia”, reativado anualmente pela atual prefeitura desde 2013.

De acordo com a prefeitura, serão quatro noites atrações no Porto Baé, com bailes carnavalescos no período noturno e uma matinê para crianças, praça de alimentação e shows nacionais de bandas da Bahia, DNA Salvador e Pata Kundum.

Prioridades

Em documento enviado para o Governo do Estado e Assembleia Legislativa, o Ministério Público de Contas (MPC) fez recomendações para que os prefeitos dos 141 municípios de Mato Grosso evitem usar dinheiro público para a realização do Carnaval.

“Com a situação de calamidade financeira no Estado, previsão de déficit financeiro de cerca de R$ 1,7 bilhão em 2019 e a crise que atinge municípios mato-grossenses, promover gastos com Carnaval contrariam medidas de austeridade, tão necessárias nesse período”, diz trecho do documento datado de quarta-feira (27).

O órgão informou ainda que, em 2017, os municípios destinaram cerca de R$ 3 milhões em despesas com shows, atividades e logística relacionadas ao Carnaval. No ano passado, 42 municípios empenharam cerca de R$ 2 milhões com despesas relacionadas à festividade.

O presidente da Associação Mato-grossense dos Municípios (AMM), Neurilan Fraga alega, no entanto, que algumas prefeituras optaram por manter a celebração como parte do projeto de desenvolvimento econômico local.

“O que tem que ficar claro é que nenhum município tira dinheiro da saúde, educação ou qualquer outra área para investir em Carnaval. Sempre buscam emendas parlamentares ou patrocínios. O que acontece é que, como não está tendo emendas, evidentemente o número de municípios que não vão fazer festa aumentou muito. Ficaram só aqueles que já têm estrutura e patrocínio”, afirma.

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