Cão policial morre e deixa legado na Rotam; conheça a história de 68

O cão fez parte do Batalhão Rotam por mais de 11 anos e agia diariamente como um verdadeiro policial

O Batalhão Rotam da Polícia Militar de Mato Grosso está de luto, a unidade especializada sofreu uma “baixa” após o falecimento de um do mascote, o cão policial 68, nesta quarta-feira (22), em Cuiabá. Há mais de 10 anos, o cãozinho literalmente fugiu do 1º Batalhão da Polícia Militar para ser um rotanzeiro no Bairro Dom Aquino, em Cuiabá.

O cão de rua conheceu a tropa quando a unidade dividia espaço com os militares do 1º BPM na Avenida XV de Novembro, no Bairro Porto. Quando os policiais da Rotam foram para a sede da especializada no Bairro Dom Aquino, o cãozinho fugiu e, com seu aguçado faro policial, achou a nova casa dos policiais do Batalhão Rotam.

Cabo Welliton Pinheiro era um dos parceiros de 68, ele ressalta que o cachorro não foi adotado pela Rotam, o batalhão que foi adotado por ele ao longo desses 11 anos de convívio.

“Nós conhecemos o 68 no 1º BPM, viemos para a nossa sede, ele fugiu de lá e veio sozinho e nos encontrou. Ele era meu companheiro, meu amigo, onde ia aqui no batalhão, o 68 me acompanhava, estava do meu lado. Ele era um membro da nossa tropa, entrávamos em forma, o cãozinho entrava também. Estamos muito tristes e ele deixou a cadela 69 que era namorada dele.  Hoje ela passou a manhã procurando por ele, vai demorar para tropa acostumar a ficar aqui sem o nosso cão policial, esse dia está sendo muito difícil sem ele aqui”, diz emocionado cabo Welliton.

Cabo Welliton e 68

Com 12 anos de vida, o cachorro 68 não vivia no batalhão apenas comendo, dormindo e ganhando a carinho, o animal era mais que um mascote da Rotam. Como todos os componentes da unidade da PM, o animal participava do início ao fim de todas as instruções como atividades físicas, corridas de rua, natação, fez parte de trabalhos com adaptação ao gás lacrimogênio e compareceu a instruções em sala de aula.

Cursos como o Estágio Capacitação Rotam (ECRO), Curso Operacional Rotam (COR) e Choque contaram com a colaboração de 68 como monitor. Para o batalhão, o cachorro se sentia e agia como policial. Com o falecimento, o cão policial, que em vida chegou a ser personagem de reportagem de TV, ganhou inúmeras homenagem nas redes sociais.

Tenente-coronel Valeria Flerck homenageou o mascote em suas redes sociais e relembrou do diferencial do amigo.  “O 68 era um policial em corpo de cachorro. Quando abríamos a porta da viatura, ele corria para entrar no veículo, colocava a cabeça para fora e se sentava como um verdadeiro patrulheiro tático, com olhos de águia, atento. Quando a tropa fazia sentido, ele se posicionava de frente a ela, em postura oponente como se fosse receber o comando. O cachorro era policial e nem de brincadeira se esquecia disso”.

O comandante do 2º Comando Regional de Várzea Grande, coronel Marcos Sovinski, quis também deixar registrado na internet sua admiração por 68. “Esse cão marcou história, participou de dezenas de cursos ao longo de 10 anos. Participou de formaturas, corridões, instruções, 68 era altamente adestrado, disciplinado e honrava nosso lema. Vá em paz 68, sua história está marcada na PMMT”, disse o coronel Sovinski.

Capitã Raissa e 68

A capitã da PM Raissa Helena também fez parte do Batalhão Rotam e relembrou da dedicação do cãozinho 68 em suas redes sociais. “Respeito a esse vira-lata, o cão cursado, mais conhecido como Meia Oito. Ele escolheu a Rotam para morar e servir, assimilou toda a rotina que os policiais viviam ali. Ao toque da sirene, ele era o primeiro a entrar em forma. Adorava entrar nas viaturas, foi monitor de vários cursos e não se amedrontava com os barulhos de granadas e tiros durantes os treinamentos. Descanse em paz, jamais será esquecido”, declarou a capitã.

O cachorro da Rotam, que morreu de broncopneumonia, sofria com um tumor que estava sendo tratado, mas que se agravava conforme a idade do animal avançava. Além dos amigos de caserna, 68 deixou sua namorada, a 69, a cadelinha adotada pela unidade que foi companheira do mascote e lhe deu vários filhotes, hoje todos adotados.

(Da assessoria)

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