Canudos de plástico podem ser proibidos em comércio de MT

Projeto de lei que tramita na AL quer que empresários troquem canudos comuns por biodegradáveis

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Um projeto de lei de autoria do deputado estadual Toninho de Souza (PSD) pretende proibir o fornecimento de canudos de plástico em estabelecimentos comerciais de Mato Grosso. A iniciativa tomou força no Brasil em 2018, quando cidades como o Rio de Janeiro e Cotia (SP) e o Distrito Federal, em janeiro deste ano, aprovaram a proibição.

Outras cidades como São Paulo (SP), Uberaba (MG) e Cascavel (PR) ainda estão em processo de regulamentação da lei. A “abolição” dos canudos de plástico em todo o mundo também ganhou adeptos de peso: no ano passado os gigantes McDonalds e a rede de cafeterias Stabucks anunciaram que deixariam de oferecer o produto aos clientes até 2020.

O projeto de Toninho quer proibir também a produção de canudos oriundos de materiais não biodegradáveis em solo mato-grossense, com pena de advertência e multa. No caso de estabelecimentos comerciais que fazem a distribuição do material, a pena também pode prever a suspensão do alvará, até a devida regularização.

Além disso, a proposta prevê que o Executivo deverá promover campanhas educativas que informem sobre a nova prática e os benefícios dela para o meio ambiente. E é exatamente essa a justificativa do parlamentar para o projeto de lei: os impactos ambientais da utilização de canudos.

A opção utilizada atualmente pode levar até 400 anos para se decompor e o descarte deste material pode afetar a flora e fauna mato-grossense, comprometendo rios e até biomas de nosso estado, a exemplo do Pantanal.

“Nobres pares, por tudo isso, mais do que necessária, é urgente a necessidade de aprovação da presente lei, de modo a proporcionar um meio ambiente mais saudável as próximas gerações de mato-grossenses”, diz trecho da justificativa do projeto de lei.

O que pensam as empresas

Em Mato Grosso já existem alguns estabelecimentos comerciais que se anteciparam e adotaram a medida. De acordo com o presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de Mato Grosso (Abrasel-MT), Fernando Medeiros, a preocupação com os impactos ambientais e a mudança de hábitos já estão presentes no cotidiano dos empresários do segmento.

“Hoje a maioria até possui canudos em bares e restaurantes, mas só disponibiliza quando é solicitado pelo próprio cliente. Então o empresário por si só já está tendo essa consciência”, destacou Fernando.

O presidente da Abrasel-MT acredita que esta será mais uma lei regulamentada que não terá a fiscalização necessária para que se haja o cumprimento. “É mais uma lei atrapalhadora, porque o empresário já possui essa consciência ambiental”, pontuou.

Fernando acredita que antes da aprovação do dispositivo, deveria existir um “ambiente de conscientização” do empresário, com palestras, capacitações e cursos que permitam que as empresas tenham acesso a este conhecimento para que depois se regulamente a lei.

Preocupação ambiental

Há quase três anos no mercado cuiabano, o restaurante Raposa Vegana já nasceu com a concepção de preocupação e respeito ao meio ambiente. O estabelecimento é o segundo no país e único no estado a possuir o selo “Eu Reciclo”, que certifica empresas que fazem a compensação ambiental de embalagens.

A proprietária do local, Wanessa Ramos, contou que assim que abriu o estabelecimento importou dos Estados Unidos canudos de vidro, isso porque a comerciante acredita que eles sejam mais higiênicos do que a opção de inox, por exemplo.

Além das duas alternativas, os canudos também podem ser feitos com fibra de bambu, silicone ou ainda as opções biodegradáveis de papel ou plástico, que levam menor tempo para se decompor. No entanto, Cuiabá não dispõe de muitos estabelecimentos comerciais que vendem estas opções ecológicas.

A reportagem do LIVRE entrou em contato com cinco lojas especializadas na venda de embalagens e outros produtos para comerciantes. Somente uma delas possuía a opção de plástico biodegradável. Entretanto, enquanto uma embalagem com 100 unidades de canudos de plástico comum custa pouco mais de R$3, a opção biodegradável custa quase R$19.

Foi justamente por essa dificuldade de encontrar produtos ecológicos de qualidade e com preço mais acessível, que Wanessa optou por importar os canudos de vidro. No entanto, como no país a procura cresceu bastante, ela agora encomenda de outro estado e comercializa em seu restaurante por R$30. Mas vale destacar que os canudos de vidro não são descartáveis, o que pode tornar a opção com melhor custo-benefício.

“Eu sei que é ruim para o pequeno comerciante um custo a mais, como neste caso. Só que precisamos mudar, porque quem sofrerá as consequências somos nós. É aquecimento global, animais sendo mortos, nosso solo e rios estão sendo prejudicados”, lembrou Wanessa.

Ela também destacou que o surgimento do plástico é recente, com pouco mais de 100 anos. Ou seja, o primeiro plástico totalmente sintético e comerciável, criado em 1907, ainda não se decompôs.

“O mundo já viveu sem plástico, então nós temos que mudar nossos hábitos. Não é só quem está vendendo, mas a pessoa que está comprando pode mudar de hábito e adotar a prática de levar seu canudo reutilizável”, finalizou a comerciante.

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