Campo está mais feminino, mais velho e continua pouco instruído, aponta IGBE

Cerca de 15,5% dos mais de 5 milhões de produtores nunca frequentaram a escola

Ilha da Marambaia (RJ) - Dona Tacira Julião Alves, remanescente quilombola, mostra o que cultiva em sua roça (Tânia Rêgo/Agência Brasil)

A participação de mulheres na direção dos estabelecimentos agropecuários aumentou de 12% para 18% entre 2006 e 2017.

Dos mais de 5 milhões de produtores rurais do pais, 946 mil são mulheres que chefiam suas propriedades. Outras 817 mil participam da direção do estabelecimento de forma compartilhada com o marido.

É o que mostram os resultados do Censo Agropecuário 2017, divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A pesquisa fez uma fotografia do campo brasileiro no dia 30 de setembro de 2017, com dados relativos ao período entre 1º de outubro de 2016 e a data base.

Para o gerente do censo, Antônio Florido, essa substituição no comando das propriedades rurais poder estar acontecendo por diversas razões.

“Não é que o campo esteja atraindo mulheres. É uma substituição de comando por envelhecimento, ou falecimento, aposentadorias, ou porque o marido teve que buscar outra atividade para manter a família. As mulheres, então, aparecem assumindo essa função”.

A pergunta sobre raça e cor entrou pela primeira vez no censo agropecuário em 2017.

Os resultados mostram semelhanças com a distribuição constatada nos censos demográficos brasileiros, como a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio Contínua (PNAD Contínua) 2017.

Envelhecimento

Quanto à idade, o censo revela que não há renovação geracional nos estabelecimentos agrícolas.

Se o comando das atividades por pessoas com menos de 25 anos era de 3,3% em 2006, a proporção caiu para 2% em 2017.

Enquanto isso, a participação de pessoas com mais de 65 anos subiu de 17,5% para 23,2%.

O mesmo fenômeno ocorreu na faixa entre 25 e 35 anos – a taxa caiu de 13,6% para 9,3% – e de 55 e 65 anos – que passou de 20,4% para 23,5%.

Isso se refletiu também no aumento de 92% no número de produtores que recebem aposentadoria. Para o gerente do censo, um motivo de preocupação.

“Não está havendo uma reposição de produtores com idades menores. É preciso, e já há políticas para fixar o jovem no campo, dar condições dele se manter no campo com qualidade de vida”.

Escolaridade

Com relação à escolaridade, comprova-se a falta de acesso à educação formal no campo.

Cerca de 15,5% dos mais de 5 milhões de produtores nunca frequentaram a escola e 23,03% declararam não saber ler e escrever.

Do total, 73% cursaram apenas o ensino fundamental, sendo que 66,5% destes não concluíram a fase.

Verificou-se, contudo, uma melhora na taxa de analfabetismo, já que em 2006, 24,5% não sabia ler nem escrever.

Do total de produtores, 283 mil cursaram a graduação e 14,5 mil fizeram mestrado ou doutorado.

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