Campanha nas redes sociais: a lição para as eleições de 2020

Propaganda eleitoral na TV e no rádio perde espaço para as mídias sociais

Com o fim das eleições de 2018, uma lição fica para o próximo pleito, de 2020: o investimento em mídias sociais será fundamental e deve ser feito a longo prazo. Além do tempo de propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão não ter sido decisivo para o primeiro turno, no próximo pleito não serão mais permitidas as coligações partidárias, o que deve potencializar ainda mais a importância das redes.

A avaliação é de um especialista na área, o publicitário Fred Fagundes. “É um trabalho a longo prazo, pois é difícil acertar a linguagem e, principalmente, organizar os grupos de apoio. Não é algo que deve ser feito apenas no período eleitoral. Sai na frente quem começar a se preparar agora, com presença nas redes sociais e desenvolvimento de grupos de apoiadores para disseminar as informações”.

Como exemplo, ele citou a disputa pela Presidência da República, na qual o candidato com o maior tempo de propaganda eleitoral, Geraldo Alckmin (PSDB), amargou a quarta colocação no primeiro turno, enquanto Jair Bolsonaro (PSL), que tinha apenas 7 segundos, não apenas passou para o segundo turno, como venceu o pleito.

“Essa eleição só comprovou que as redes sociais serão cada vez mais importantes e o principal: sai na frente quem se prepara antes da campanha. Na presidencial, por exemplo, tínhamos um candidato liderando as pesquisas que vinha há anos organizando grupos e alinhando um discurso nas redes sociais. A TV foi importante somente para tirar fragmentos de debates e entrevistas. Saiu-se melhor quem soube utilizar isso nas redes sociais”, analisou Fagundes.

Estratégias de campanha nas redes

Como estratégias de campanha nas redes sociais, o publicitário defende que é preciso, antes de qualquer coisa, ter presença constante, incentivar o diálogo e fazer o seguidor se sentir valorizado, sendo que, para isso, é necessário manter transmissões ao vivo e postagens frequentes.

“Ser uma figura conhecida nas redes sociais é muito importante. Trazer as pessoas para sua página, criar um vínculo, fazer com que elas contribuam com conteúdo e disseminação. Criar grupos fechados, incentivar a divulgação de dados e, aos poucos, criar esse exército de divulgação”, pontuou.

Ainda segundo ele, cada uma das redes sociais exige uma estratégia diferente, uma vez que cada uma tem seu peso, sua mensagem e seu algoritmo.

“O Twitter é mais factual, sempre em primeira pessoa. O Facebook tem um perfil maior de mídia, pode ser algo relacionado sempre a compromissos e entrega, além de ser mais elaborado, ao passo que o Instagram, por estar conectado com o Facebook, é uma rede social que funciona bem como teaser. É bom postar sempre no Facebook primeiro, para a pessoa interagir e receber o post complementar na outra rede. Já o Whatsapp é aquela coisa sem controle. Que você joga e seja o que Deus quiser. Mas o segredo é você conhecer e estar nesses grupos”.

Eleições 2018 em Mato Grosso

Para Fred Fagundes, embora os candidatos tivessem ótimos conteúdos em Mato Grosso, nenhum teve interesse na antecipação do trabalho nas redes sociais. “O tempo da internet é diferente do tempo de campanha eleitoras. Em janeiro, no mínimo, já deveria haver uma movimentação por parte dos candidatos para criar os grupos organizados de divulgação. Mas isso não ocorreu”.

Segundo ele, nenhum postulante conseguiu usufruir do alcance que as mídias digitais podem proporcionar, pois o conteúdo de quem iniciou o trabalho antes do período eleitoral ficou focado, massivamente, em mostrar o que foi feito no exercício do mandato, apresentar compromissou ou atacar adversários.

“Todos postavam e saiam correndo. Só curtiam a página desses candidatos, quem já votava neles e eu preciso que esse conteúdo vá além, que entre nos grupos de quem não curte essa página e pode se identificar com a mensagem. Esse banco de dados não se faz do dia pra noite”, ressaltou.

Já o jornalista e empresário Humberto Frederico, que atua na área de mídias sociais, avaliou o cenário local de maneira diferente de Fagundes. Embora ambos concordem com a importância das redes sociais e da antecipação, na opinião dele, só foram reeleitos no Estado os candidatos que trabalharam bem a comunicação ao longo do mandato.

“Os candidatos mais bem votados trabalharam a comunicação nas redes sociais ao longo de todo mandato, isso mostra que a comunicação tem que começar a ser prioridade na construção do gabinete dos eleitos. Não dá mais para um jornalista ser o responsável pela assessoria de imprensa, criação de conteúdo das redes sociais, direção de arte, impulsionamento das redes e resposta aos comentários na página do assessorado”, ponderou.

Humberto também pontuou que o tempo de TV não tem mais tanta interferência no pleito. “Pesquisas internas que fizemos ao longo da eleição em Mato Grosso mostraram que as pessoas acompanham mais rede social do que rádio e TV. Portanto, quem souber usar as redes nos próximos dois anos, com certeza chegará mais forte em 2020”.

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