Café da manhã: um negócio em ampla expansão nos pontos de ônibus

Uma fonte de renda que nasce da necessidade e cresce aliada à oportunidade

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Movidos pela necessidade e capacitados pelo YouTube. Assim, várias pessoas se descobriram como “salgadeiros” e fizeram disto um ganha pão. Literalmente! Eles enxergaram na rotina corrida dos trabalhadores uma oportunidade e transformaram pontos de ônibus e calçadas em um verdadeiro banquete de café-da-manhã.

Os preços são bem camaradas. O salgado mais barato custa R$ 1 e o mais caro não ultrapassa os R$ 2,50. Normalmente, a variação de preço está ligada ao tamanho, qualidade e quantidade de recheio.

Ivo Brocardo era segurança e, hoje, vende cerca de 700 salgados por dia (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Caso a pessoa resolva ir em um ponto mais econômico, estará alimentado por R$ 2, levando em consideração o R$ 1 do salgado e o R$ 1 do leite com café. Uma conta que parece ilusória, uma vez que nem em casa consegue-se um valor desse por pessoa.

Ivo Brocardo trabalha junto com a esposa no Café da Nanah. Ele explica que o lucro só é possível com a venda em grande quantidade. E a rentabilidade não ultrapassa os 20% por unidade, principalmente quando o recheio é de frango e carne, que tiveram aumentos nos últimos anos.

Diariamente, Bocardo e sua esposa vendem cerca de 700 unidades em dois pontos de ônibus diferentes.

“É um produto que se não vendido, vai para o lixo. Então, é preciso vender muito e assar na quantidade certa”, explica o comerciante, que está instalado todos os dias, a partir das 5h, na avenida das Torres.

Como tudo começou

Brocardo conta que era segurança e a esposa coordenadora de escola, antes de entrarem no ramo alimentício.

“Minha filha nasceu com um problema de saúde e precisávamos de uma fonte de renda que nos permitisse ter um horário flexível”, explica.

Placa indica que negócio começou em 2016 e permanece firme nas ruas de Cuiabá. (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Então, a solução encontrada pela mulher dele foi buscar informações no YouTube.

O mais prático e fácil mostrou-se o salgado, porém a concorrência era muita e, por este motivo, o casal estabeleceu um diferencial, reduziu o tamanho e adotou o preço de R$ 1.

“Todos cobravam R$ 3 na época e tinha muita gente que não tinha dinheiro todo dia. Como nós temos um preço mais em conta, as pessoas podem comer todos os dias e fidelizamos o cliente”.

E o segredo para manter o preço, segundo o empresário, é pesquisar e comprar tudo no atacado. Qualquer compra mal planejada pode resultar em prejuízo.

Erros e acertos

Cristiane Campos, comerciante instalada na avenida Dante Martins de Oliveira, conta que está vivendo de erros e acertos. Ela começou a vida com um trailer, que não deu certo por conta do aumento do aluguel da estrutura. Agora, está embaixo de uma tenda.

Mesmo com a dificuldade, a vendedora não desiste. Por enquanto, trabalha com salgados revendidos, café e leite, porém, pretende expandir assim que possível.

Apesar de estar muito esperançosa, acredita que os obstáculos serão muitos, tendo em vista que a concorrência está cada vez mais acirrada.

O trailer foi substituído por uma tenda, mas as dificuldades não afastaram Cristiane Campos do trabalho (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Hoje, ela divide o entorno do ponto de ônibus com outras três vendedoras de café da manhã.

“Estou pagando um trailer a prazo e acredito que, com ele, será mais fácil. Poderei oferecer produtos diferentes, que precisam de água para serem comercializados, como pastel frito na hora, caldo de cana e até mesmo caldos”, planeja.

Como muitos outros vendedores de café da manhã, a necessidade levou Cristiane ao setor alimentício. Hoje, ela já não vê outra opção, além de dar certo.

Uma ação de fé

A reportagem do LIVRE passou por diversos pontos de café da manhã em Cuiabá e a única vendedora no ramo por opção foi Patrícia Alves. Ela é funcionária pública e acorda todos os dias às 5h para fazer bolos e pães de queijo para vender.

O objetivo é angariar fundos para ajudar a financiar o coral infantil da Igreja Assembleia de Deus, que hoje conta com 50 crianças.

Patrícia Alves sai de casa todos os dias para conseguir dinheiro para financiar atividades filantrópicas (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Patrícia disse que aprendeu a fazer os bolos no Youtube e pesquisando na internet, da mesma forma que aprendeu a ser regente do coro.

“Deus vai me guiando e as coisas vão dando certo. Eu recebi a missão e vou fazendo. Ele sempre me mostra o caminho”, assegura.

Cliente é o que não falta

Alexandre Alife, 25 anos, é cliente fiel. Ele trabalha em frente a um ponto de salgado e conta que come cerca de quatro por dia. Quando tem mais dinheiro, ultrapassa a meta.

Em dois minutos que conversou com a reportagem, devorou dois salgados e um copo de suco. Ele se diz um apreciador do quitute e afirma que existem outros na rua, mas sempre se vê cativado pela qualidade.

Liriosmar Valente é outro consumidor desse tipo de comércio, mas não tem um lugar preferido. Sempre escolhe um no caminho de casa ao trabalho.

Liriosmar Valente já se considera especialista em café da manhã de rua. Ele consome todos os dias (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Na opinião dele, duas coisas fazem um bom salgado: a textura da massa, que não pode estar muito pesada e nem ser o salgado todo, e a quantidade e qualidade do recheio. Neste ponto, tempero e fartura são essenciais.

Use este espaço apenas para a comunicação de erros





Aceito que meu nome seja creditado em possíveis erratas.

DEIXE SEU COMENTÁRIO

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anterior7 anos de espera e 72% do valor da reforma gasto em aluguéis
Próximo artigoPadre é sequestrado de seminário, amarrado, agredido e roubado