“Cadê meu teatro?”: mobilização visa reabertura de espaço cultural em Cuiabá

Teatro do IFMT está interditado desde 2009

Nesta semana, durante um evento multicultural no Campus Cuiabá do Instituto Federal de Mato Grosso, alunos se revezaram em um palco improvisado. A plateia assistia de pé ou sentada ao chão.

Muitos deles souberam na semana passada que poderiam estar dentro de um teatro profissional, com palco, técnica e cadeiras adequadas. E que este prédio, estava bem pertinho deles.

Foi um artigo que repercutiu na internet em que o ex-aluno e ator, Bruno Corrêa cobrava a reabertura do teatro que trouxe à luz a ausência dele. O texto provocou muitas reações, mas além de nostalgia, mobilizou gerações que passaram por ali, seja como artista, seja como plateia.

Artistas, alunos e ex-alunos reivindicam conclusão das obras de reforma e ampliação do teatro do IFMT

O teatro passaria por uma reforma em 2009, a primeira desde a década de 1970, quando foi criado. Mas diversos contratempos de ordem burocrática o mantiveram a portas fechadas. A ponto de muita gente nem saber que ele existia.

“Falei com muitos alunos e me surpreendeu o fato de que eles não sabiam que havia um teatro no Campus, ficaram surpresos mesmo. Fiquei sabendo também que muitas campanhas para gestores do IFMT giraram em torno desse tema, pelo menos até 2012, mas o projeto que previa a entrega do teatro não avançou”, conta Bruno.

E logo depois que seu desabafo ecoou na internet, muita gente o procurou. “E então, respondi a essas pessoas com a sugestão de uma reunião. E assim foi feito. O primeiro encaminhamento foi a criação de uma conta no Instagram onde vamos reunir mais relatos”.

Agora, Bruno e companhia, convocam artistas e público que passaram pelo teatro para compartilhar fotos, vídeos e até depoimentos contando saudosas histórias de quando ele estava em atividade. Tudo vai ficar documentado no memorial virtual “Cadê meu teatro?”.

“O Gilberto Nasser, que tem muita identificação com o teatro Hélio Vieira, à frente do Ânima, nos falou que cerca de 80% dos artistas que estão produzindo teatro em Mato Grosso passaram por lá”.

Mas a partir do momento em que foi fechado… “Tudo isto foi negado aos mais de 20 mil alunos que passaram pelo IFMT nos últimos 10 anos. E me sinto culpado por isso, a sociedade se calou, precisamos reverter essa situação”.

Um pouco da história de Cuiabá

Há muito da história da cultura cuiabana, vivendo hoje entre os escombros.

Bruno Corrêa iniciou mobilização

Bruno relembra, que além de ser laboratório e palco para várias gerações de artistas que assim como ele estão “na ativa”, o local era espaço para formaturas e atividades das aulas de artes dos alunos.

Mas também foi espaço para ações sociais como encontros dos movimentos LGBT, negro e de formação e debate político, como o realizado entre os então candidatos à Prefeitura de Cuiabá em 2008, Wilson Santos e Mauro Mendes, dada sua relevância para a cidade.

O ator André D´Lucca, dentre diversos artistas, como Sandro Lucose, Eduardo Buttaka, Thyago Mourão, Gilberto Nasser – do Ânima – e integrantes das companhias Solta de Teatro, Teatro Imagem, Cena Livre, Theatro Fúria, Cena Onze, por exemplo, descobriram o teatro naquele espaço.

“O teatro da Escola Técnica Federal, na época era assim que a gente chamava, foi o primeiro teatro de verdade que entrei. Eu já fazia teatro de caixinha em casa e já tinha feito teatro na escola, mas nunca tinha visto um teatro profissional como este. Foi ali que decidi o que eu queria fazer no futuro”.

Ele relembra que nos primeiros anos, participou como ouvinte, mas um tempo depois, Flávio Ferreira o acolheu no Cena Onze, por onde permaneceu por cinco anos.

“Quando eu estreei o primeiro espetáculo que eu escrevi, o ‘Antes só do que só acompanhado’, foi nesse palco. No ano 2000. Mais tarde, um dos diretores que passaram pelo IFMT disse que eu seria um dos artistas convidados para a reabertura do teatro. Estou aguardando há mais de dez anos”.

Até dezembro de 2020

De acordo com a assessoria do IFMT, os artistas e público em potencial terão que esperar mais um pouco. A previsão é que o Teatro Hélio Vieira seja entregue em dezembro do ano que vem.

Ao longo dos anos houve embargo da prefeitura por motivos técnicos e depois dos reajustes feitos no projeto de reforma e ampliação, a primeira construtora faliu e a que assumiu depois, abandonou a obra. Uma parte já havia sido paga e o resto, como é recurso federal, voltou para a União, impossibilitando a conclusão de cerca de 40% da obra que ainda faltaria.

Ainda conforme a assessoria, uma emenda positiva de R$ 10 milhões foi liberada para obras no campus. Para o teatro serão destinados R$ 2,8 milhões para não só concluir a reforma, como equipá-lo. “A licitação para contratação de uma nova empresa será realizada já nos próximos 60 dias e até abril de 2020 a construção deve começar”.

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