Cabo Gerson responsabiliza Paulo e Pedro Taques por esquema de escutas

Segundo o cabo, Evandro Lesco e Zaqueu Barbosa teriam participado diretamente do esquema

Tribunal de Justiça concede liberdade ao cabo Gerson
(Ednilson Aguiar/ O Livre)

Em audiência que terminou na madrugada deste sábado (28), o cabo da Polícia Militar, Gerson Luiz Ferreira Corrêa Júnior, confessou participação no esquema de escutas clandestinas que ficou conhecido como “grampolândia pantaneira”. Ele afirmou em juízo que a série de interceptações seria de interesse do ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques e do governador, Pedro Taques (PSDB).

Ao revelar detalhes do esquema, disse que inclusive foi Paulo Taques, quem pagou a ele o valor R$ 50 mil para que a central de escutas entrasse em atividade. À época, Paulo Taques era coordenador da campanha de Pedro Taques.

O policial contou ao juiz Murilo de Moura Mesquita, da 11ª Vara Criminal Militar, que as interceptações começaram a ser feitas com fins eleitorais na campanha de 2014, porém, só teria ficado sabendo no decorrer da operação.

De acordo com seu testemunho, a primeira informação que teve é que se tratava de uma investigação para identificar policiais suspeitos de envolvimento com o tráfico de drogas. O coronel Zaqueu o teria chamado para atuar em um projeto que “limparia a PM”. Em agosto de 2014, o cabo foi a um encontro no Restaurante Reserva, na estrada de Chapada, com Zaqueu e Lesco. Lá, encontraram o ex-secretário da Casa Civil. “Paulo disse que iria arcar com as despesas e tomaria conta da situação”, confirma.

Na empreitada, foi o coronel Evandro Lesco quem o acompanhou também, quando foi pegar dinheiro para custear o esquema, em uma casa onde Paulo Taques trabalhava, no bairro Consil.

“Com o dinheiro em mãos, eu e Torezan montamos o sistema dentro da sala locada para operacionalizar. Com o dinheiro arrumamos tudo e ainda ficou em caixa”. Segundo Gérson, o coronel Zaqueu Barbosa tinha conhecimento de tudo e, inclusive, o primeiro contato para desenvolver a central de escutas foi dele. Ele também o teria estimulado a locar uma sala para que fosse realizado o acompanhamento contábil da operação.
Mas, segundo ele, a empresa era de fachada. “Porque a PM não poderia locar espaços”. O aluguel custava R$ 1,2 mil mensais.

Na sequência, Zaqueu teria passado a fornecer os números a serem interceptados e, em meados de setembro,  o esquema começou a funcionar. Gerson disse que saía do Gaeco – onde atuava – e ia para a sala escutar os áudios e, após captá-los, os passava direto para o coronel Zaqueu.

O alvo de Gerson não seriam políticos, mas sim policiais. Já o interesse das barrigas de aluguel – quando números de políticos e jornalistas, a exemplo, eram incorporados à lista de telefones -, segundo ele, seria de Paulo Taques e do governador. Sob comando do coronel Zaqueu, as interceptações teriam sido encerradas, por conta do vazamento de informações. Especialmente, porque o promotor Mauro Zaque teria conhecimento de tudo.

Sobre o testemunho do cabo, a defesa do advogado Paulo Taques nega as acusações e informa que se pronunciará nos autos.

Já o Governo do Estado informa que o governador Pedro Taques determinou a apuração de todos os fatos relacionados às supostas escutas telefônicas clandestinas assim que a denúncia chegou ao conhecimento dele, em 2015, garantindo independência das Polícias Civil e Militar nas investigações.

O Governo do Estado ressalta ainda que o governador Pedro Taques solicitou ao Superior Tribunal de Justiça que ele próprio fosse investigado neste caso para comprovar, perante a Justiça, que não teve qualquer envolvimento nos fatos narrados por terceiros.

Além do Cabo Gerson – último a depor -, foram interrogadas na audiência que começou às 13h30 de sexta-feira, os coronéis da PM Zaqueu Barbosa, Evandro Alexandre Ferraz Lesco e Ronelson Jorge de Barros e o tenente-coronel Januário Antônio Edwiges Batista.

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