Cabo Gerson diz que “manobra jurídica” o impediu de falar “tudo”

Gerson deve trazer fatos novos, incluindo nomes de membros do MP envolvidos no esquema

Este é o terceiro reinterrogatório do Cabo Gerson (Suelen Pessetto/O Livre)

Continua nesta quarta-feira (17) o reinterrogatório dos militares mato-grossenses envolvidos no esquema de grampos ilegais que ficou conhecido como Grampolândia Pantaneira. É a vez do cabo PM Gerson Luiz Correia Ferreira Junior ser ouvido pelo juiz Marcos Faleiros e pelos membros do Conselho de Sentença da 11ª Vara Criminal de Cuiabá.

O depoimento de Gerson é o mais aguardado sobre o caso dos grampos, uma vez que ele deve revelar fatos envolvendo, inclusive, membros do Ministério Público do Estado, que foram apontados em sua tentativa de delação premiada mal-sucedida.

Gerson chegou na sala de audiências às 14h, junto com o juiz, apresentou-se e passou a relatar os fatos.

Segundo destacou, este é seu terceiro reinterrogatório. Ele afirma que, na ocasião anterior, em dezembro passado, uma “manobra jurídica” o impediu de relatar todos os fatos de que tem conhecimento.

Depoimentos

Na terça-feira (16), por ordem de maior patente, foram ouvidos os coronéis Zaqueu Barbosa e Evandro Lesco. Foi a primeira vez que ambos citaram o nome do ex-secretário da Casa Civil (e primo do ex-governador) Paulo Taques como o chefe do esquema ilegal.

De acordo com os dois militares, em depoimento anterior, os fatos não poderiam ser trazidos à tona em razão de termo de confidenciabilidade, assinado no início das tentativas de delação premiada. Nenhum dos dois teve o pedido aceito.

Zaqueu, que teria chefiado o núcleo militar do esquema, afirmou, inclusive, que foi procurado pelo ex-governador Pedro Taques (PSDB), em sua casa, para grampear adversários políticos, ainda na época da campanha de 2014.

Lesco, por sua vez, entregou diversos casos de barriga de aluguel (isto é, a inclusão de número de pessoas comuns junto à interceptação telefônica de criminosos investigados) ordenados por membros do Ministério Público do Estado.

O coronel Lesco, que atuou como diretor de inteligência do Gaeco antes de chefiar a Casa Militar, afirmou, inclusive, que o primeiro sistema para operacionalizar grampos ilegais teria sido “doado” pelo ex-procurador-geral, Paulo Prado.

Confira abaixo o que disseram os militares:

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