Brasileiros estão mais altos, mas não necessariamente mais saudáveis.

Especialistas alertam que comer mais não significa ter qualidade na alimentação

O brasileiro está crescendo. Um levantamento feito pela universidade britânica Imperial College London revelou que a altura média de crianças e adolescentes no Brasil aumentou quatro centímetros nos últimos 35 anos.

A elevação nos índices fez o país saltar dezenas de posições no ranking global. Isso não significa, porém, que as novas gerações estejam mais saudáveis, como alertam especialistas.

De acordo com os dados levantados pela pesquisa, as estaturas médias de meninas e meninos de cinco anos no Brasil são, respectivamente: 1,13m, e 1,15m. Entre os adolescentes, as médias são, aos 19 anos, de 1,62 m (mulheres) e 1,75 (homens).

Os brasileiros formam um dos povos que mais cresceram no ranking mundial. O líder em crescimento foi a China, onde a média dos jovens subiu oito centímetros no mesmo período.

As nações com jovens de 19 anos mais altos estão nas regiões Noroeste e Central da Europa, incluindo Holanda, Montenegro, Dinamarca e Islândia. Por outro lado, as menores estaturas foram encontradas principalmente no sul e sudeste da Ásia, América Latina e África Oriental, incluindo Timor-Leste, Papua Nova Guiné, Guatemala e Bangladesh.

Mais comida?

Brasileiros estão tendo mais acesso a comida nos últimos 35 anos (Foto: divulgação)

Na visão do professor da Faculdade de Nutrição da UFAL (Universidade Federal de Alagoas) Haroldo Ferreira, os números refletem o fato de que, nas últimas décadas, o brasileiro tem comido mais: “A estatura, em nível populacional, é um indicador da condição nutricional de longo prazo”, afirma.

Quando o organismo deixa de receber os nutrientes necessários ao seu crescimento, desenvolve mecanismos de preservação de energia como a redução da taxa metabólica. O problema é que essa programação para uma menor taxa metabólica traz, entre outras repercussões, a redução na velocidade de crescimento do indivíduo.

“Por isso, a baixa estatura é um indicativo de fome crônica e desnutrição em nível populacional”, explica Ferreira.

No período inicial da apuração, o Brasil estava entre as nações onde a desnutrição se caracterizava como um grave problema de saúde pública. “Todavia, políticas públicas implementadas nas últimas décadas tiraram o país do chamado Mapa da Fome mundial, o que aconteceu em 2015. Portanto, dados recentes irão refletir essa situação.

Da desnutrição à obesidade

Quantidade não significa qualidade e crianças passaram a sofrer com a obesidade (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil)

O pediatra e nutrólogo faz a ressalta de que o aumento da estatura não pode ser entendido apenas como uma melhora nutricional das crianças. “A análise dos dados do Ministério da Saúde relacionados a peso e altura demonstra que, em todos esses anos, há um excesso de obesidade. E crianças com massa maior tendem a ser um pouco mais altas. Passamos da subnutrição para a transição nutricional, e, agora, estamos numa epidemia de obesidade, em que uma a cada quatro crianças apresenta massa corporal acima do indicado”, pondera.

Segundo os dados do estudo britânico, o Índice de Massa Corporal (IMC, que associa peso e altura) cresceu cerca de dois pontos entre crianças e adolescentes nas últimas décadas no Brasil. Em 1985, um brasileiro de cinco anos possuía um IMC de 15,1, em média. Hoje, de 17,2. Já uma brasileira de 19 anos tinha, há pouco mais de três décadas, um IMC de 21,8.

Hoje, o índice médio é de 23,3. “Isso evidencia que o brasileiro está ganhando bastante peso, já que a altura está aumentando e não diminuindo“, observa Feferbaum.

(Com Agência Einstein)

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