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Ministro Blairo Maggi diz que delação de Silval o motivou a deixar a política

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Laíse Lucatelli

O ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Blairo Maggi (PP), afirmou que ter sido delatado pelo ex-governador de Mato Grosso Silval Barbosa (ex-MDB) foi determinante para que ele decidisse encerrar sua carreira política, depois de 16 anos. Na delação premiada, fechada em 2017 depois de passar quase dois anos preso, Silval responsabilizou Maggi, seu antecessor no governo estadual, por diversos esquemas de corrupção ocorridos em sua gestão.

“A gente não pode esconder. A delação do Silval é uma coisa que acabou judiando muito e fez com que eu repensasse também se vale a pena ou não vale a pena fazer todo esse enfrentamento e estar na política, como eu estava. A conclusão foi ‘não, deixa eu ficar fora, vamos resolver os problemas e vamos em frente’”, revelou Maggi, em entrevista na manhã desta segunda-feira (6), no Fórum Pró-Ferrovia, em Cuiabá.

Empresário do agronegócio e um dos sócios da trading Amaggi, ele disse que tem sido prejudicado pela exposição política. “A política tem sido muito depreciada nos últimos anos. E para quem tem negócios, como eu, isso tem criado muitas dificuldades para se movimentar. Isso se chama PPE, pessoa politicamente exposta. Quando você tem um cargo público, você aumenta a exposição e o risco para os negócios”, explicou.

Maggi teve dois mandatos de governador de Mato Grosso, eleito em 2002 e reeleito em 2006, e um de senador, conquistado em 2010. Em fevereiro deste ano, anunciou sua desistência de concorrer à reeleição e sua aposentadoria política. Ele está licenciado do mandato de senador e deve permanecer no comando do ministério até o fim do ano, quando se encerra o mandato do presidente Michel Temer (MDB).

Nesta segunda, o ministro citou, ainda, as dificuldades de trabalhar em Brasília, enquanto a família mora em Mato Grosso. “Depois de 16 anos, pretendo encerrar. Não vou dizer que nunca mais volto, mas quero ficar afastado”, disse.

Ele relembrou a Operação Carne Fraca e observou que, até o fim do ano, podem surgir novos problemas no ministério.

“A gente não pode comemorar uma coisa, que já vem um problema”, brincou. “É um ministério muito grande, de regulação, tem mais de 12 mil servidores. Tudo que a gente come ou bebe todos os dias passa pelo Ministério da Agricultura. E tem pessoas na ponta e estamos vulneráveis a algumas coisas”.

 

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