“Besteiras ditas por pessoas do Governo prejudicam relação com a China”, diz ex-ministro

Blairo Maggi é acionista da Amaggi, uma das maiores empresas de agronegócio no país, que mantém relações comerciais com o país asiático

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O ex-ministro da Agricultura, Blairo Maggi, disse que é preciso respeitar os costumes do povo chinês e o relacionamento construído ao longo dos anos entre o Brasil e a China.

Em nota enviada nesta terça-feira (07), o ministro se mostrou preocupado com os rumos da relação comercial entre os países.  Maggi é acionista da Amaggi, uma das maiores empresas de agronegócio no país, que mantém relações comerciais com o país asiático.

“Eu diria que essas besteiras, conversas desconexas e irresponsáveis ditas por pessoas do nosso Governo prejudicam as relações comerciais, e os laços de confiança que ambos governos buscam construir ao longo do tempo”, disse.

Nos últimos 15 dias, declarações feitas por membros do Governo Bolsonaro  responsabilizaram a China pela pandemia do coronavírus e provocaram uma crise diplomática entre os dois países.

O embaixador chinês no Brasil, Yang Wanming, chegou a manifestar repúdio aos ataques. A Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) também emitiu nota oficial à época informando que deseja manter no mais alto nível as relações bilaterais entre Brasil e China.

Maggi lembrou que durante o período em que foi ministro participou por várias vezes de missões comerciais na China e, segundo ele, aprendeu a respeitar seus costumes.

“O povo chinês tem um orgulho justificado da sua cultura e do potencial que seu país alcançou. Eles prezam pela formalidade, a amizade e o bom diálogo. Nós brasileiros, sobretudo as nossas autoridades, devemos entender e respeitar isso!

Desde 2009, segundo dados do Ministério das Relações Exteriores, a China é o maior parceiro comercial do Brasil e tem sido uma das principais fontes de investimento externo no país.

Mato Grosso x China

Das 19,8 milhões de toneladas de soja produzidas em Mato Grosso e enviadas para o exterior, 12,3 milhões foram destinadas à China em 2019. Ao todo, o Brasil enviou para o país asiático no último ano quase 58 milhões de toneladas do grão.

A China também se destaca como o maior comprador de carne bovina e suína do Brasil: foram 913 mil toneladas e 346 mil toneladas, respectivamente, em 2019.

Quanto ao algodão, a China também segue na liderança como o principal mercado para a pluma brasileira. Em 2019, foram enviadas mais de 499 mil toneladas para a China, sendo Mato Grosso responsável por 60% desses envios.

Segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), o comércio bilateral entre os países saltou de US$ 3,2 bilhões em 2001 para US$ 98 bilhões em 2019.

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1 COMENTÁRIO

  1. Até que ponto as transações comerciais estão superiores ao bem estar do povo brasileiro? Vemos um acionista preocupado com suas possíveis perdas. Transparece que no mundo só existe esse país para realização de transações comerciais. Todos estamos perdendo nesse momento. Essa é minha opinião.

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