Batman cuiabano se dedica a agenda de voluntariado; para manter o pique, guaraná ralado

É herói, mas também é humano. O Batman cuiabano conta que na batcaverna lava louça e faz comida: "faço tudo que um homem deve fazer"

O super-herói foi conhecer a redação do LIVRE (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

O nome é Luiz Miguel de Faria Júnior. Mas pode chamar de Batman. O Bruce Wayne cuiabano não é um milionário que sai pela cidade fazendo justiça com as próprias mãos, mas a bordo do seu batmóvel, um Gol G3, sai pelas ruas por uma causa tão nobre quanto a do seu ídolo: o voluntariado.

A solidariedade o mobiliza quase que 24 horas por dia. E é assim que ele se tornou herói das crianças em tratamento do câncer. É presença fácil em eventos pautados por uma causa social.

Vez ou outra circula pela Câmara Municipal. Pode ser flagrado fazendo rapel na Ponte Sérgio Motta – pois ele adora esportes radicais -, na missa e eventos geek. O espírito generoso pode impulsioná-lo até mesmo a interromper a viagem para salvar alguém de um assalto, como já aconteceu.

Batman em ação

Batman entrou em ação para salvar uma jovem em perigo (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

“Não saio à noite caçando o Coringa, mas dia desses eu vi uns motociclistas muito suspeitos. Um deles desceu da moto em direção a uma moça que estava em uma Honda Biz esperando o semáforo abrir, quando resolvi me aproximar”.

Ele conta que ligou a música do Batman no som do rádio, fazendo alarde. Os homens se assustaram e desistiram do assalto. “Saíram rapidinho”. Mas a situação de alerta acabou sendo inusitada. “Foi engraçado que a moça não entendeu nada e se assustou também”, se diverte.

Foi então que ele desceu do carro e contou sobre a movimentação dos supostos bandidos e ela o agradeceu. “Um homem que estava no ponto de ônibus de frente ao sinaleiro, saiu correndo também. No fim das contas todo mundo se assustou. Acho que até eu fiquei nervoso”. Mas pelo menos, a mulher foi protegida.

Batman bebe guaraná ralado

As ruas de Gotham City, digo, Cuiabá, são palco do herói que passa o dia todo cumprindo agenda. “As pessoas me chamam para participar dos eventos e eu vou. Mas é quase sempre tudo por minha conta. Não recebo por isso. Pode ser que no máximo eu consiga uma ajuda para a gasolina ou para colocar um apetrecho a mais no carro”.

Além de músicas do Batman e diversos acessórios distribuídos pela lataria, ele também tem um giroflex para chamar a atenção quando circula pelas noites da Capital.

Para ter disposição e cumprir a rotina agitada o que é que ele faz? “Sou um cuiabano movido a cabeça de pacu e mojica de pintado. Mas guaraná ralado, tomo todo dia”.

Ele conta que a leitura de quadrinhos, desenhos animados e filmes do Batman, bem como colecionar objetos personalizados sempre fizeram parte do cotidiano, mas o personagem foi incorporado a partir de 2008.

Batcaverna é mantida em sigilo

“Foi quando comprei uma roupa em uma loja de fantasia. Ela era de aluguel. Na mesma época ganhei o batmóvel dos meus pais. Eu tenho muito a agradecer a eles”.

Em casa, há um quarto cheio de colecionáveis do Batman. Fora o guarda-roupa que é repleto de “uniformes”, como ele faz questão de ressaltar.

“Tem um quarto com carros, action figures, quadrinhos… E tenho de meia a máscara”. Mas como no caso da batcaverna de Bruce Wayne, pouquíssimos são os que têm acesso à casa onde mora, no tradicional bairro do Baú.

Mostrando a máscara no Tinder

Respostas no Tinder o surpreenderam: rolou até convite para encontrinho (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Como Wayne, ele também não tem uma namorada firme. “É complicado encontrar alguém que compreenda esse universo que a gente vive. Não é fácil viver para salvar Cuiabá e Várzea Grande”, descontrai.

E ele conta que até tentou. “Entrei no Tinder, como Batman mesmo. Em dez minutos estava bombando. Muita gente levou na esportiva mas houve quem quisesse um encontro. Mas ficamos só na amizade mesmo”, despista.

O Batman conta que a dedicação dele é mesmo para as crianças com câncer. E com essa relação, teve que superar um triste acontecimento.

“Tem uma criança que me marcou muito. Era um menino que era muito fã do Batman, igual eu quando era criança. Ele batalhou muito contra a doença, mas perdemos ele. Ele era muito apegado a mim, foi difícil, sinto muito saudade”.

Um dia o tio do menino o encontrou na rua e como forma de agradecimento pelo carinho dedicado ao sobrinho, lhe disse: “Você é o cara. Eu disse ‘não, seu sobrinho é o cara, aprendi muito com ele’”, se emociona.

Batman lava louça e cozinha

O lado humano desse cativante e irreverente herói cuiabano também é expresso quando além de tudo o que faz, também é um ser exemplar dentro de casa.

“Eu sou o Batman, tudo bem, mas eu também sou humano. Lavo louça, lavo e passo, cozinho [a receita preferida é de lasanha]… Faço todas as coisas que um homem deve fazer em casa”. Mais uma lição do nosso Batman cuiabano.

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