16 de abril de 2026 04:50
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Bancos: a aglomeração sai de dentro para a porta das agências

Foto de Caroline Rodrigues
Caroline Rodrigues

Os clientes dos bancos estão esperando cerca de 1 hora do lado de fora das agências de Cuiabá, antes de serem autorizados a entrar. Tudo isso para evitar aglomerações no interior dos prédios e proteger os bancários do coronavírus.

A medida, que faz parte de um acordo entre a Federação Nacional dos Bancos e os trabalhadores do setor,  evita o contato social de quem é funcionário, porém expõem os usuários dos serviços.

Em algumas unidades, como a da Caixa Econômica Federal (CEF) da Barão de Melgaço, no centro de Cuiabá, pessoas de todas as idades ficam concentradas em uma fila com espaçamento menor que 20 centímetros entre cada indivíduo.

O aperto se justifica pelo fato de todos quererem se proteger do Sol, abrigando-se na sombra formada pela fachada do prédio.

Seguranças e estagiários usam máscaras enquanto tentar organizar os clientes (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Durante a espera, uma atendente, protegida com luvas e máscara, entrega fichas com números e definindo o tipo de atendimento.

A auxiliar de limpeza Maria Auxiliadora de Miranda, 42, conta que veio no horário do almoço para resgatar o PIS e tirar um extrato do FGTS. Até então, ela não sabia se conseguiria entrar no banco até as 14h.

“Meu chefe deixou eu ficar uma hora mais porque sabe que sempre demora. Mas, do jeito que vai, posso ter que vir amanhã novamente”, argumenta.

No local, está controlada a entrada até mesmo a área de Caixas Eletrônicos. A fiscal de caixa Jussara Maria, 47, veio do interior para resolver questões trabalhistas e teve que pegar duas filas.

Jussara Maria veio do interior para resolver questões trabalhistas e teme não ser atendida (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

A primeira foi de acesso ao caixa eletrônico e a segunda para entrar na agência.

“Eu vim aqui para resolver isso e tive que ficar em casa uma semana por conta de uma gripe. Agora que estou boa, não sei quanto tempo levarei para resolver as coisas de banco”, declara.

Sem respeito ao grupo de risco

Na agência do Banco do Brasil, que fica na mesma rua, os atendimentos não respeitam sequer os grupos de risco.

Valdecir Alves, 54, estava na fila, esperando para entrar na agência, acompanhada do pai. O homem tem 82 anos, é cadeirante, teve um Acidente Vascular Cerebral (AVC) e estava em meio a aglomeração de pessoas que aguardavam para entrar na agência.

Até mesmo a área do Caixa Eletrônico está com a entrada controlada por seguranças (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Valdecir conta que chegou de ligar para o gerente e explicar a situação do pai dela, porém ele foi irredutível e exigiu a presença do idoso na agência, mesmo com a pandemia do coronavírus.

“Meu pai está com um problema no cartão e precisa resolver para comprar remédios e as coisas que ele precisa”, explica a filha.

Acordo Febraban e bancários

Na terça-feira (17), houve uma reunião entre representantes das instituições financeiras que integram a Federação Brasileira dos Bancos (Febraban) e entidades que representam os bancários. No encontro, ficou definida as seguidas medidas de contingência para tentar minimizar o risco de contaminação pelo vírus nas agências:

  • Aumentar o número de bancários trabalhando no sistema de home office;
  • Dividir as equipes que ainda estão atuando presencialmente e definir locais de trabalho diferenciado para cada grupo de forma a reduzir o número de profissionais concentrados ao mesmo tempo nos locais de trabalho;
  • Indicar canais para notificação de casos entre os funcionários dos bancos
  • Criar novos protocolos de limpeza das agências

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