Baleia orca em luto carrega filhote morto pelo oitavo dia seguido

A tristeza da mamãe orca está se tornando um emblema da sua população de baleias, em risco de extinção

A orca Tahlequah está carregando seu filhote recém nascido desde sua morte, após sobreviver apenas uma hora e meia. (Marl Leiren-Young/Reprodução).

Uma baleia orca fêmea está chamando a atenção do mundo todo após perder seu filhote recém-nascido e se recusar a deixá-lo ser levado por cientistas. Chamada de J35, ou Tahlequah, a mamãe orca chegou nessa terça-feira (31) ao oitavo dia seguido carregando o filhote, a quem deu à luz em 24 de julho, mas que sobreviveu apenas por uma hora e meia.

Quando o corpo do filhote inicialmente afundou na água, Tahlequah levou-o para a superfície, e então nadou com ele por 150 milhas no Oceano Pacífico, apenas no primeiro dia, desde a costa de Victoria, na British Columbia, até as águas perto das ilhas de San Juan e Vancouver.

Em oito dias, a mamãe orca viajou centenas de quilômetros carregando o filhote recém-nascido

Fundador do Centro de Pesquisas em Baleias (Center for Whale Research), nos Estados Unidos, Ken Balcomb disse ao New York Times que o comportamento, apesar de não ser inusitado para a espécie, está sendo encarado como uma longa turnê de luto pela perda do filhote.

“Às vezes, ela morde a barbatana do filhote e o puxa para cima”, afirma Balcomb. “O filhote afunda porque não tem camada de gordura suficiente e cai. Ela mergulha, pega-o de volta e o traz para a superfície.”.

Acompanhada pelos cientistas do Centro de Pesquisas, na terça-feira (31) eles a perderam de vista para reencontrá-la ainda carregando o filhote, a 300 metros de profundidade, nas ilhas do sul do Golfo de Columbia. Ali, perceberam que a mãe do clã de baleias a que Tahlequah pertence a ajudava, com mais membros do clã as acompanhando.

Pode ser difícil de ver”, diz Taylor Shedd, da Soundwatch, que também acompanha a mãe à distância buscando garantir seu bem estar. “Lá estava ele, minúsculo, e ainda seguro no rosto da mãe orca”, complementa. Em oito dias, Tahlequah viajou centenas de quilômetros carregando o filhote.

Espécie em risco

A situação da orca em luto reflete um problema maior. A população de baleias assassinas à qual a mãe pertence não tem um nascimento bem-sucedido há muito tempo. Em cerca de 20 anos, apenas 25% dos recém-nascidos da população sobreviveram, de acordo com o Centro de Pesquisas.

Boa parte da culpa desse alto índice de mortalidade é de ações humanas, como a colheita de salmão, que, afetada negativamente, é a principal fonte de alimento das orcas. “A causa é a falta de recursos alimentares suficientes em sua área de forrageamento”, explicou Balcomb à CNN. “Não há comida suficiente, e isso é devido a razões ambientais.”

Ele acrescentou: “A extinção está se aproximando”.

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