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Aziz Ansari – as perguntas que incomodam

Foto de Marco Túlio
Marco Túlio

No seu stand-up “Right Now”, o comediante Aziz Ansari vai muito além do entretenimento.

Nos 65 minutos do show até o momento disponível na Netflix, ele nos coloca em situações de profunda reflexão e desconforto.

Não me entenda mal, é sim um show engraçado. Só que me chamou a atenção a sua habilidade de mergulhar mais profundamente no gênero em que ele se encontra, onde tantos outros só ficaram na superfície.

No ano anterior à gravação, Aziz passou por um momento muito conturbado em sua vida, após uma grave acusação. Não quero entrar no mérito do ocorrido, mas não posso deixar de mencionar que Aziz abre o show colocando o dedo na ferida mencionando o episódio – o que de cara dá a tônica do restante da apresentação: o desconforto.

Por mais que, na minha opinião, ele tenha uma visão mais progressista (de esquerda), há diversos momentos em que não temos certeza qual é a sua posição sobre vários assuntos que aborda.

No início, ele fala bastante da questão racial nos Estados Unidos sob a sua perspectiva pessoal de um descendente de indianos. Só que, a todo momento, ele subverte a nossa expectativa em relação à sua opinião.

Em um outro momento, ele pergunta se a plateia continua ouvindo os artistas R. Kelly ou Michael Jackson, ambos acusados de escândalos sexuais. Muito se fala sobre separar a arte do artista de sua vida pessoal, mas até que ponto isso é válido? Existe um limite? Há algo imperdoável que o artista faça que tire o crédito de sua obra? Ele não responde nenhuma dessas perguntas, muito menos eu o farei agora.

Em um terceiro exemplo, ainda seguindo a lógica dos dois exemplos anteriores, ele propõe a seguinte situação: imagine que em 1999 o Osama Bin Laden tivesse lançado um incrível álbum de Jazz, do nível de Kind of Blue do Miles Davis. Imagine que seria um estrondoso sucesso. Porém, em 2001, todos sabemos do terrível ato terrorista que ele realizou. Será que ainda escutariam o seu disco depois disso?

Há muitas outras provocações ao longo do show, mas fica aqui o convite para você assistir, antes que eu dê mais spoilers.

Confesso que eu ri em muitos momentos, mas, para mim, o maior mérito do Aziz foi colocar-nos diante das perguntas que ninguém faz, as perguntas que incomodam.

 

 

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