Auxílio online: psicólogos de MT criam plantão para atender gratuitamente

Eles atendem entre as 7h e 23h, mas antes, é preciso agendar via formulário

Da esquerda para a direita: Sílvia Regina Andrade Gonçalves, Tane Schirmbeck, Alexandra Marcelina da Silva Barros e Stéphani Bettanin (na foto menor)

O mundo não estava preparado para enfrentar a pandemia do novo coronavírus. De uma hora para outra, pessoas tiveram que mudar a rotina sob a sombra da ameaça de um inimigo invisível.

Muita gente não soube lidar. E assim, em algumas mentes, o medo e a ansiedade se instauraram.

A psicóloga Stéphanin Bettanin começou a detectar esse comportamento há uma semana, quando começaram a multiplicar relatos aflitos na timeline de suas redes sociais.

Ao mesmo tempo, surgiam iniciativas solidárias de profissionais da Psicologia em todo o país, voltando seus esforços ao acolhimento de quem precisava de ajuda. As ações a inspiraram.

“Eu cheguei a preencher um formulário de um plantão que estava sendo divulgado pela internet, de uma campanha que convocava voluntários, mas enquanto aguardava a confirmação, pensei: ‘e se a gente desenvolver um projeto em Cuiabá também?'”.

Ao buscar apoiadores, rapidamente a rede se formou, e se ampliou, reunindo atualmente, mais de 35 profissionais que se disponibilizaram a colaborar voluntariamente.

Até a publicação desta matéria, mais de 50 pessoas já haviam solicitado atendimento via formulário digital [clique aqui], que serve tanto para quem quer auxílio quanto para quem quer ajudar.

Confira quais são os psicólogos que colaboram com a fase inicial do projeto; ainda falta gente no último painel produzido

“Eu estava em casa, em isolamento, seguindo as recomendações das organizações de saúde, quando pensei que podia aproveitar o tempo livre. Com disponibilidade em vários horários, conseguimos organizar os atendimentos de segunda a segunda-feira, com agendamentos de consultas virtuais entre as 7h e 23h”, conta.

Atendimento gratuito

Para idealizar o plantão de atendimentos, ela também se baseou em uma das cláusulas do Código de Ética da sua profissão, que diz que compete ao psicólogo prestar serviços sem benefício pessoal, em casos de calamidade pública.

“Nosso atendimento é de acolhimento e escuta. Para ajudar as pessoas a manejarem as emoções neste momento. E podemos também ajudar com orientações de prevenção”, diz.

Segundo a psicóloga, os primeiros atendimentos que o grupo vem realizando mostram que o medo e a ansiedade predominam.

“A gente escuta, conversa e mostra caminhos para a pessoa lidar com a situação, amenizar o sofrimento. E, ainda, orienta sobre técnicas de relaxamento para amenizar o estresse”.

Stéphani ressalta que é normal neste momento, sentir ansiedade.

“Esse clima desperta o mecanismo de sobrevivência do cérebro. Nos deixar em alerta, é uma forma de proteção”.

O “radar” fica ligado quando uma estrutura do cérebro profundo, a amígdala “liga o alarme”. “Quando ativada, pensamos: lutar ou fugir”.

Demanda deve crescer

A psicóloga sabe que o grupo tem de se empenhar muito ainda, pois antevê que, nas próximas semanas, com a situação se agravando, mais pessoas devem buscar ajuda. Mas ao certo, assim como é possível aumentarem os pedidos, é possível também que mais voluntários endossem o projeto.

“Afinal, os efeitos do clima de pandemia estão se intensificando. Sabemos que não acaba nem nesta, nem na próxima semana”.

Mesmo sendo por um motivo desagradável, a iniciativa fortalece a corrente do bem que tem se formado como enfrentamento da crise.

Os pacientes de ocasião, que buscarem ajuda, poderão acessar o grupo mais vezes, caso haja vaga, pois será priorizado o atendimento uma única vez.

“O acolhimento é pontual, não vamos atuar como psicoterapeutas”.

Não deve ser difícil também, acolher pessoas que estão aflitas, com medo do contágio pelo coronavírus.

“Não está errado sentir isso. A sensação é de impotência, mas se pudermos pensar em coisas que podemos fazer agora será menos difícil de lidar com esse sentimento do que se focarmos em um futuro incerto”.

Foco no agora

A psicóloga explica que o cérebro cria diversas situações.

“Mas se eu fizer tudo que me foi orientado, adoto todas as medidas sugeridas pelo Ministério da Saúde, de higienização e prevenção, minha casa é muito provavelmente um ambiente seguro”.

Afinal, como diz ela, não se trata de um gás tóxico que vai invadir a casa e contaminar todo mundo.

“E as pessoas devem se lembrar também que podem investir o seu tempo em coisas diversas, como tudo aquilo que sempre quis fazer, mas não tinha tempo. Trabalhos manuais, vídeos interessantes, cursos online, ligar para pessoas queridas”.

Não apenas, saber mais sobre a pandemia. Isso é importante. Ela sugere que se determine um tempo do dia para olhar as notícias sobre isso, “ao invés de focar nisso o dia todo”, aconselha.

“Não adianta ficarmos pensando no que acontecerá daqui alguns meses ou ano, ou se eu perder o meu emprego, se eu me contaminar, se isso, se aquilo… O importante agora é pensarmos: o que eu posso fazer, nesse momento, para passar por esses dias de maneira menos sofrida?”.

Sobre a eventual solidão que algumas pessoas estejam sentindo por conta do isolamento, ela relembra que é preciso manter vínculos, mesmo remotamente.

“Apesar de a situação ser desagradável, muita gente tem se mobilizado e disponibilizado a ajudar como pode, isso nos faz lembrar que estamos na mesma situação e vamos passar por isso juntos”, finaliza.

Escuta no Parque versão online

O Escuta no Parque, um projeto de psicólogos voluntários que promovem acolhimento uma vez por mês no Parque Mãe Bonifácia, em Cuiabá, vai levar a edição que aconteceria no dia 5 de abril, para o mundo virtual. O parque está fechado por conta de decreto do governo estadual.

Mas o número de atendimentos será limitado. Apenas 32 pessoas serão auxiliadas, via videochamada no WhatsApp.

O atendimento online começa no direct do Instagram, entre às 7h e 8h da manhã. Este horário é reservado às inscrições. É preciso escrever o nome e telefone com WhatsApp. Após ser confirmado agendamento, a pessoa deve procurar um local reservado e com bom acesso à internet.

Saiba mais: Escuta no Parque no Instagram e Facebook.

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