Aula virtual? Rede privada está adaptada, escolas públicas ainda sofrem

Acesso e experiência de professores e alunos com ferramentas tecnológicas e internet aumentou o fosso entre o ensino público e o privado

(Foto: Julia M Cameron / Pexels)

Após nove meses de pandemia, a reabertura das escolas é uma decisão de pouco consenso. O retorno no início do ano é mais apontado como pressão econômica, mas o ensino remoto alargou o fosso entre as redes pública e privada. 

Já se prevê que os alunos das escolas públicas chegarão ao fim do isolamento social mais prejudicados. As ponderações estão sendo tiradas das avaliações de oito meses de aulas via internet, forçadas pela crise sanitária.  

E o resultado do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) pode ser a primeira amostra dos efeitos da pandemia.

Assim como o restante do país, a paralisação pegou as escolas de surpresa em Mato Grosso, mas a rede privada conseguiu de se adaptar rapidamente ao novo formato. 

“Nós tivemos que nos adaptar rapidamente, porque o fechamento das escolas não era imaginável no começo do ano passado. Tivemos que modificar todo o formato, procurar aplicativos para reunião dos alunos em sala virtual, adaptar o conteúdo para o ensino remoto e treinar os professores para a nova situação”, disse o presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Estabelecimentos de Ensino (Sinepe-MT), Gelson Menegatti. 

Imagem Ilustrativa (Foto: August de Richelieu / Pexels)

Depois da turbulência inicial, segundo o professor, as aulas virtuais e a aplicação de conteúdo passaram ocorrer quase que na normalidade das presenciais. A quantidade de alunos com dificuldades de acesso à rede é considerada baixa e os conteúdos foram absorvidos a contento. 

Ensino travado

O cenário é quase o oposto para os alunos da rede pública. O Sindicato dos Trabalhadores do Ensino Público (Sintep-MT) avalia como negativa a experiência de ensino remoto. Até os professores tiveram dificuldades para manusear as ferramentas e os alunos  para acessar os conteúdos. 

“Já ouvimos várias histórias de aluno que não tem computador em casa e tentava acessar as aulas virtuais pelo celular. O problema é que o aplicativo travava e esses alunos não conseguiam fazer nada. E, geralmente, o computador ou o celular é disputado por mais de estudante na família”, diz o secretário de comunicação do sindicato, Gilmar Soares. 

Segundo o Sintep, o problema na rede pública passou tanto pela fraca absorção do treinamento dos professores para lidar com as tecnologias – em parte por falta de costume de manuseio – quanto pelas limitações financeiras. 

Professores e alunos tiveram que desembolsar dinheiro não planejado para comprar computadores e assinar pacotes de dados para celulares. O auxílio emergencial pago pelo governo federal teria suplementado os gastos extras.

Mesmo antes da pandemia, a realidade em algumas escolas públicas do Estado já era difícil (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Olho no Enem 

A percepção em comum é que a aprendizagem foi sacrificada na pandemia. Esse dano poderá ser avaliado pelo resultado das provas do Enem 2020. A rede pública e a rede privada entendem que os alunos em escolas particulares terão melhor resultado, o que vai representar mais entrada deles no ensino superior neste ano. 

“A rede pública pouco conseguiu fazer durante a pandemia, já iniciou tarde as aulas virtuais e ainda assim teve muitas dificuldades. Sem dúvida, os alunos da rede privada terão os melhores resultados no Enem, até porque os cursos preparatórios não paralisaram”, disse o professor Gelson Megatti. 

A avaliação do professor Gilmar Soares é semelhante. Ele também entende que o número de alunos da rede pública no ensino superior tende a ser ainda menor e, por isso, o Enem não serviria de parâmetro a avaliação do ensino na pandemia. 

“Os alunos da rede privada, pelo próprio fator de pagar escola, têm condições de ter acesso às ferramentas tecnológicas que estão sendo usadas no momento. Os da rede pública estão preocupados quase que exclusivamente com a alimentação, nesse cenário de crise”, pontua. 

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