Até processo seletivo: desembargador conta como nasce uma nova facção em MT

Em sessão que debatia a liberdade de uma das integrantes do grupo, Orlando Perri contou sobre os "concorrentes" do Comando Vermelho

Ilustrativa

Renata Brito de Melo, apontada como a responsável pela contabilidade de uma nova facção criminosa que foi criada em Mato Grosso, conseguiu a liberdade após apelar ao Superior Tribunal Federal (STF). Ela, segundo investigações do Ministério Público Estadual, seria a 6ª no quadro hierárquico do grupo.

O primeiro lugar é ocupado por Luciano Mariano da Silva, conhecido como “Marreta”. Ele era um dos líderes do Comando Vermelho no Estado, mas agora é perseguido pelo grupo, por conta de suas operações individuais.

A informação foi passada pelo desembargador Orlando Perri, durante sessão da 1ª Câmara Criminal, que aconteceu na última terça-feira (9), no Tribunal de Justiça de Mato Grosso. Na ocasião, o magistrado, que tinha negado o pedido na esfera estadual, fazia o exame do mérito, no qual decidiu por cumprir a liminar do STF e esperar a decisão do mérito na esfera federal.

Desembargador Orlando Perri é relator no processo no TJMT (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

Na ocasião, Perri apresentou uma série de informações extra-autos, como ele mesmo definiu. Explicou aos demais desembargadores que Marreta teria usado da expertise adquirida no trabalho junto ao Comando Vermelho para criar sua própria organização criminosa.

E, hoje, mesmo preso na Penitenciária Central do Estado (PCE), conforme as investigações, ainda estaria atuando de forma independente, como líder do tráfico e de atividades criminosas em 8 municípios de Mato Grosso: Barra do Bugres, Vera, Apiacás, Feliz Natal, Nova Mutum, Alta Floresta, Claudia e Nova Olímpia.

Por conta da atuação privada, Marreta teria atraído o descontentamento dos colegas do Comando Vermelho, que o juraram de morte e, por conta disso, ele foi colocado na ala evangélica da PCE.

Luciano Mariano da Silva está na Penitenciária Central do Estado (PCE) (Foto: Reprodução)

Vale lembrar que em outubro de 2019, Marreta confessou ter matado o colega de cela e também parceiro de facção (CV) Paulo Cesar da Silva, de 35 anos, conhecido como Petróleo. Naquela ocasião, ele disse em depoimento que a vítima era como um irmão para ele, porém não teve escolha. Era Petróleo ou ele.

Voltando ao caso Renata

Segundo Perri, que afirmou na sessão que teve as informações por conta da sua atuação no Grupo de Monitoramento e Fiscalização do Sistema Carcerário (GMF), as investigações apontam que Renata é a sexta na hierarquia, atrás do marido dela, Rodrigo Araújo da Silva, o “Serra Branca”, que está preso na Paraíba.

O trabalho policial mostra ainda que a criação da nova facção contou com uma seleção, na qual foram recrutados membros de Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraíba e Pernambuco.

Quando pediu o habeas corpus para a Justiça de Mato Grosso, Renata alegou que tinha dois filhos menores de 12 anos e que precisavam dos cuidados dela. Ainda argumentou que tinha passado por cirurgia e precisava de assistência médica.

Na avaliação do desembargador, nenhum dos argumentos é válido porque os filhos dela estão sendo cuidados por terceiros e, o fato, não é justificativa para a liberdade. Com relação ao procedimento médico, não tinha qualquer explicação do que se tratava ou documentos que comprovassem. Outro agravante era o fato do endereço residencial ser da Paraíba.

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Luciano Mariano da Silva já figurou como protagonista em várias operações policiais, entre elas a Parasita e a Red Money. No primeiro caso, trata-se de um esquema para lavagem de dinheiro que estima-se ter legalizado cerca de R$ 18 milhões.

A outra é sobre um complexo esquema de lavagem e financiamento do crime por meio de mensalidade paga pelos faccionados, cadastramento e mensalidades pagas por traficantes ou por cada ponto de venda de droga e a cobrança de “taxa de segurança” de comércios.

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