As voltas que o mundo dá

(Foto: Pexels)

Desculpem-me os céticos: não é apenas a celebração da volta da terra em torno do sol.

O ser humano é um ser simbólico. Podemos atestar isso desde os mais primitivos registros, que são as pinturas rupestres. Pouca coisa se sabe sobre o homem pré-histórico, mas podemos dizer que ele era um artista. Retratava suas caças e até contava histórias em seus desenhos nas paredes.

Portanto, não podemos acreditar que seja ordinária uma data que marca o fim no nosso calendário e em que muitos de nós estamos de branco – ou qualquer outra cor que se acredite dar sorte –  e da volta do nosso planeta em torno do sol: que demos o nome de translação.

Por definição, o símbolo é aquilo que nos remete ou nos encaminha para o seu real significado – que muitas vezes é intangível. Os símbolos são justamente a tentativa de tornar aquilo que é abstrato ou inconcebível mais real a nossa consciência.

E, por mais abstrato que pareça essa tentativa, René Alleau, em seu livro “A ciência dos símbolos” nos diz que não é possível, por exemplo, a luz ser símbolo de ignorância ou do mal. Os símbolos necessariamente precisam estar lastreados na realidade – e é isso que os torna tão importantes.

Ele, inclusive, fala no mesmo livro sobre um “ouvido simbólico” que a sociedade foi perdendo, e assim, diminuindo a sua capacidade de entender a realidade.

Por isso, que essa volta despretensiosa do nosso planeta pode significar tanto.

Peguemos um exemplo mais curto, o nosso dia – com as suas 24 horas. A cada novo dia temos uma nova chance de fazer diferente. É uma nova chance para colocar mais um tijolo em nossas obras inacabadas. A esse movimento da terra em torno de si mesma demos nome de rotação.

Os símbolos não são meros arbítrios, um capricho ou devaneio. Eles são meios para nos colocar em contato com realidades demasiadamente complexas para se entender, como, a volta do nosso grande planeta em torno de uma imensa estrela.

Desejo a todos um feliz e renovado 2021!

E como uma vez disse G.K. Chesterton “O objetivo de um ano novo não é que nós deveríamos ter um ano novo. É que nós deveríamos ter uma alma nova. ”

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