As camadas das narrativas

Quando se age no impulso histérico, está se engrossando a massa instrumentalizada

Saul Alinsky: o último esquerdista que tinha algo a dizer?

Há pouco tempo, ficava imaginando qual seria a nova estratégia a ser adotada pela esquerda mundial, já que nos últimos anos grande parte de seus mecanismos de controle mental e social haviam sido desvendados e, de certa forma, massivamente explicitados.

Ficava pensando se algo novo poderia brotar das doentes mentes esquerdistas, dado que, a meu ver, a esquerda carece de novos autores realmente contributivos e maquiavélicos, tendo sido Alinsky o último dessa calhorda estirpe.

Devo aqui registrar que, a meu ver, figuras que se colocam como pretensos filósofos não passam de produtores compulsivos de flatus vocis, alguns beirando o surto esquizofrênico. Mas, para minha tristeza, acredito que há algo novo em andamento, mesmo que eu não tenha encontrado nenhum novo texto produzido por algum novo autor.

Há uma narrativa que é disparada ao público. Alguns elementos conjugam certas ideias, normalmente falaciosas, ou tendenciosas diante do que se quer “transformar”. Essa primeira camada, carente de vários elementos, escrita com palavras evocadoras de sentimentos contraditórios, normalmente em vocabulário pobre, serve para provocar uma reação imediata à massa.

A massa, por si só, normalmente não busca mais elementos, e deleita-se em um gozo histérico com o furdunço provocado. Não preciso dizer que essa primeira camada nada tem de compromisso com a verdade, mas com a instrumentalização. Os sintomas presentes diante da primeira camada são vários e, normalmente, de cunho histérico.

Uma segunda camada, levemente mais profunda, é acessada quando alguns outros elementos sugerem que a suposta conexão cristalina presente na primeira camada é somente uma máscara e uma instrumentalização da narrativa.

Na segunda camada, no entanto, ainda não se consegue extrair o verdadeiro sentido e as verdadeiras ligações entre os diversos elementos, mas um sentimento de inquietude diante do que a massa está se empanturrando, com uma percepção vaga de que há algo muito mais profundo como verdade, vai aos poucos se delineando. Diria que o acesso à segunda camada gera um sintoma: o desconforto.

Uma terceira camada bem mais profunda é acessada quando os elementos que são agregados são compostos por elementos históricos e constitucionais. Através da historicidade inerente a certos elementos da narrativa, o espectador começa a delinear possíveis intenções atreladas.

O próprio funcionamento de instituições associadas é desnudado, e quando elementos da narrativa são cruzados, pode-se, muitas vezes, eliminar os claramente falaciosos e se cogitar outros claramente consequentes.

Na terceira camada uma ideia aproximada da provável verdade começa a se consolidar, e já se tem plena certeza de que a narrativa presente na primeira camada fora introduzida de forma manipuladora e intencional. O sintoma presente na terceira camada é conflitante, pois alterna entre profunda curiosidade e revolta diante do uso manipulador da linguagem.
Uma quarta camada é acessada quando os elementos finalmente agregados são detalhes que preenchem as lacunas anteriormente deixadas.

Um grande aliado para acesso à quarta camada é o tempo, já que fatos, vozes e registros novos aparecem sucessivamente no passar dos dias, principalmente quando a narrativa fora introduzida como ferramenta de engenharia social.

Outro grande aliado para acesso à quarta camada são os elementos entregues por contribuintes de confiança. Nas palavras de alguém que claramente busca a verdade e não sua instrumentalização, muitos elementos ainda obscuros na terceira camada se tornam claros e se encaixam na quarta.

O sintoma associado à quarta camada é o de alívio por um lado, mas de impotência pelo outro. Alívio de não somente se perceber o mais próximo possível da realidade, mas também de se perceber não parte do gado instrumentalizado.

No entanto, normalmente, face à nossa enorme impotência diante dos mecanismos de engenharia social utilizados na contemporaneidade, a descoberta das camadas mais profundas da narrativa somente nos atesta o tamanho da crueldade do establishment.

Costumo orientar o acesso a diversas fontes, algumas não tão ortodoxas, o aguardo de alguns dias antes de se pronunciar, a busca de elementos históricos, estruturais e institucionais associados à narrativa, e, mais do que tudo, policiar-se diante de um impulso histérico inicial. Quando se age no impulso histérico está se engrossando a massa instrumentalizada.

Em outras palavras, quando assim agimos, agimos como o gado que funciona plenamente em prol do projeto de engenharia social.

Digo que estamos vivendo algo diferenciado, já que as narrativas fraudulentas têm sido criadas de forma que até a massa contrária ao projeto está sendo contaminada pelo apelo histérico. Alguma ferramenta a qual eu ainda não pude compreender completamente está introduzindo elementos na narrativa que estão agindo como potencializadores da virulência da mesma.

Até o que parecia vacinado perde o controle, engrossa a massa, perde a capacidade de ver o dano que seu descontrole causa e não percebe que passa a ser usado contra tudo o que outrora defendia. Estou me esforçando para compreender plenamente o funcionamento das novas ferramentas e a origem das mesmas, mas ainda, admito, não me são completamente claras. Posso, por enquanto, ajudar a desvendar as camadas e alertá-los sobre isso.

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