|terça, 13 novembro 2018

Artistas pedem definição de Pedro Taques sobre reabertura de museus

A campanha “SOS Museus SOS Arte MT” quer chamar a atenção do poder público e convoca sociedade a participar, assinando petição que será entregue ao governador

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Em janeiro deste ano, o LIVRE havia alertado sobre espaços museológicos do Estado e município que permaneciam fechados à espera da assinatura e formalização dos contratos para gestão compartilhada – no caso dos museus estaduais – e outros, que estavam sendo subutilizados ou em reforma – no caso dos municipais.

De lá para cá, nada mudou. Exceto pelo Memorial Rondon, que foi reaberto em 5 de maio e que agora foi incorporado aos equipamentos da Secretaria de Estado de Desenvolvimento do Turismo. Isso quer dizer que será essa secretaria a responsável pela supervisão e encaminhamentos do contrato a ser assinado com a Organização da Sociedade Civil selecionada em edital da Secretaria de Estado de Cultura, Idtech.

Memorial Rondon agora fica a encargo da Secretaria de Desenvolvimento do Turismo (Foto Sedec-MT)

Levando em consideração o número de instituições museológicas fechadas das duas esferas, pode-se estimar que a população cuiabana espera, no mínimo, há mais de um ano pela reabertura de importantes pontos de visitação.

Perde a sociedade, perdem os artistas. Ao constatar a redução dos espaços de exposição e conscientes de que os museus podem ser importantes espaços educativos e de lazer para a população, artistas mato-grossenses uniram-se para cobrar do Governo de Mato Grosso a reabertura dos museus.

Impasse na formalização dos contratos

Inicialmente, a movimentação cobra a consolidação dos termos de gestão compartilhada pendentes. Os valores estipulados em edital mesmo não sendo ainda os ideais para o desenvolvimento de atividades, segundo as OSCs que venceram o chamamento, poderão impulsionar a retomada das ações e idealização de uma programação para os equipamentos culturais atualmente fechados ou inativos. A Sec-MT por sua vez, alega que está em tratativas com a equipe econômica do Governo para viabilizar os recursos financeiros e concluir o processo.

Mas os artistas já estão cansados da mesma resposta e, agora, miram o foco para o Governo. A campanha “SOS Museus SOS Arte MT”, além de manter uma página no Facebook, tem convocado a sociedade para assinar petição online encaminhada ao governador Pedro Taques e ao coordenador de Defesa do Patrimônio Público do Ministério Público de Mato Grosso, o promotor Mauro Zaque. Segundo as lideranças do movimento, o documento final será encaminhado ao Instituto Brasileiro de Museus – Ibram.

OSCs selecionadas já perdem oportunidades

Foto de Mayke Toscano-GCom-MT

De acordo com o arquiteto e expógrafo Jeff Keese, convocado pelo Instituto de Arte e Cultura Boca de Arte para coordenar ações de dois dos espaços fechados, o de Arte de Mato Grosso e da Galeria Lava Pés, o impasse da formalização dos contratos está causando danos à gestão, antes mesmo da reabertura dos equipamentos.

“Elaboramos um plano de trabalho e já havíamos dado encaminhamento a iniciativas que trariam benefícios ao Museu de Arte de Mato Grosso, que agora está localizado no 2º piso do Palácio da Instrução. Chegamos ao limite de espera. Lá se vão oito meses desde a homologação do contrato. Como é que se faz um edital se não há recurso?”, questiona.

Segundo Jeff, consta no contrato que tudo que for adquirido pela OSC será incorporado como patrimônio do museu. “Já havíamos, inclusive, solicitado ao Ministério Público, que possui um projeto Benfeitores Sociais, para conseguir um elevador para o Palácio da Instrução, que peca no quesito acessibilidade se quiser levar visitantes ao primeiro piso, porém, como não tínhamos contrato assinado, perdemos o incentivo”, conta.

“Temos muitas ações previstas e pensamos que se o Governo não pode nos ajudar, ao menos faça a formalização do contrato para que encontremos formas de viabilizar essas ações por meio da criação de associação dos amigos do museu e de participação em editais de instituições internacionais, por exemplo. Resumindo, precisamos de uma definição”.

Acervo se deteriora

Por sua vez, uma das gestoras da Associação dos Produtores Culturais, selecionada para gerir o Museu de Arte Sacra, Vivine Lozi, diz que a grande preocupação das instituições que venceram o edital, é com o acervo.

“Nos preocupamos em saber como estão as peças do acervo. Muitas delas têm em sua composição, tecido, papel e madeira, que são alvos fáceis de pragas por terem celulose. Não sabemos de que forma estão acondicionadas e quais serão os prejuízos ao acervo que está por tão longo período, inacessível”.

A Associação já atuava no regime de gestão compartilhada com o Governo, via Sec-MT, porém, Viviene avalia que esta seja uma das fases mais críticas. “Antes, por mais que os repasses fossem menores, garantiam uma atuação mínima e claro, os museus ficavam de portas abertas. Agora, o valor foi ampliado e os novos editais foram bem rigorosos, o que garante que instituições realmente comprometidas e que tem grande experiência se responsabilizem pela administração destes espaços, porém, se não for formalizado, de nada adiantará”.

Ela ressalta o engajamento pela preservação do acervo, da proposta elaborada pela associação – que culminou na restauração da edificação do prédio do Museu de Arte Sacra, a partir de 2003 – e que possibilitou que o museu fosse reaberto em 2008, depois de ficar dez anos fechado.

“Fizemos um levantamento das peças, reunimos o acervo que estava distribuído por outros espaços, restauramos, catalogamos as peças e ainda, nos unimos a instituições de ensino para desenvolvimento de pesquisas e conquistamos parceiros para que enfim, conseguíssemos, naquele ano, que o espaço voltasse a ser inserido no cotidiano da sociedade”, destaca.

Agora, técnica em museologia e especialista em gestão de acervo teme que a falta de simples cuidado, como a higienização do acervo, possa trazer danos ao patrimônio histórico e cultural de Mato Grosso. “A gestão e manutenção do acervo deve ser constante”, reforça.

Ela destaca que há muitos valores embutidos nessa batalha a que os produtores culturais vêm se dedicando. “Os espaços museológicos abertos fomentam toda uma cadeia produtiva da cultura, abrem espaços também aos artistas, produtores, pesquisadores, estudantes, educadores e turistas, fomentando áreas, como a cultura, turismo e educação”.

“Sabemos que o contrato ainda não ter sido assinado é uma consequência de não ter dinheiro, porém, nada justifica não buscarmos alternativas e soluções”.

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