Armazena MT: produtores discutem construção de silos em propriedades rurais

O Armazena MT é realizado pela Aprosoja e visa fomentar a construção e ampliação das unidades armazenadoras no Estado

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Agricultores, empresários e representantes do setor produtivo se reuniram nesta sexta-feira (23) para discutir a construção de unidades armazenadora de grãos no Estado. Durante a feira, Armazena MT, organizada pela Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja) foram discutidos indicadores econômicos, normas técnicas para a construção de armazéns e formas de financiamento.

Sendo o maior produtor de grãos do país, Mato Grosso também lidera o ranking dos Estados com o maior déficit de armazenamento. Para a safra vigente (18/19), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima que das 64 milhões de toneladas de grãos apenas a metade (37,6 milhões ton.) poderá ser armazenada. O restante da produção, 38,6 milhões de toneladas ficará sem cobertura.

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Déficit pode ser ainda maior se levarmos em consideração a orientação da Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), que defende que a capacidade de armazenamento seja 20% superior ao total produzido.

Em nível nacional, com base na última estimativa da Conab, serão produzidas 241,3 milhões de toneladas de grãos. Contudo, a capacidade é de apenas 166,9 milhões de toneladas, ou seja, uma defasagem de 122,5 milhões de toneladas.

Projeção de crescimento

Nos últimos 10 anos a produção agrícola de grãos cresceu quase 130% em Mato Grosso e, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), em 2028, a produção de soja e milho deve chegar a 102,9 milhões de toneladas.

Nesse cenário hipotético, caso a capacidade de armazenamento não cresça de forma mais acelerada que o ritmo de produção, a desigualdade vai subir para 85,7 milhões de toneladas em Mato Grosso.

Vantagens de ter um armazém

Embora aparente ser apenas um grande tambor em que os grãos são armazenados, os silos têm uma função fundamental na manutenção da produção agrícola. Pois, evita a perda de qualidade dos grãos e do desperdício causados geralmente pelo armazenamento em locais inadequados.

Um armazém também diminui os custos de transporte, uma vez que não será necessário pagar o frete, já que que as trades buscam os grãos nos silos. A colheita torna-se mais rápida.

O produtor consegue ainda padronizar sua produção. Principalmente no que diz respeito à umidade, grãos avariados e impurezas, melhorando a qualidade da classificação do produto entregue.

Superintendente do Imea, Daniel Latorraca (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

Por fim, o produtor passar a ter o poder de escalonar a comercialização, aproveitando a sazonalidade de preços da entressafra. Ponto que foi destacado pelo superintendente do Imea, Daniel Latorraca.

Segundo ele, o produtor consegue ter uma melhor margem de lucro, quando possui um silo. “O produtor que tem armazém não precisa vender na hora. Ele pode secar, patronizar e estocar e esperar um melhor momento”.

Latorraca comentou que o mercado das commodities é dinâmico e que com a capacidade de armazenamento, o produtor pode esperar um momento melhor para comercializar a sua produção. “Há influencias externas que não temos controles nenhum, tipo a briga comercial entre Estados Unidos e China, as eleições na argentina, a tensão mundial em relação ao Irã. São situações que impactam aqui. O dólar e ações na Bolsa de Chicago e de Nova Iorque”.

Fomento a construção de armazéns

(Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

O vice-presidente Norte da Aprosoja, Zilto Donadello disse que 80% dos produtores do Estado plantam menos que 3 mil hectares – considerados pequenos produtores – por isso, precisam avaliar o seu endividamento e sua capacidade de pagamento.

“Caso não haja possibilidade de fazer sozinho, pode se unir a outros produtores. Ainda falta legislação, mas a Sefaz pode disponibilizar isso. Aí o produtor pode se unir a outros produtores, e a construção passa a ser viável”.

Ainda explicou que os recursos para a execução dessas estruturas já existem, mas precisam ser estudados, “porque é um investimento de longo prazo, então você tem que saber o que quer fazer”.