Arábia Saudita crucifica homem em meio a disputas diplomáticas com o Canadá

Chefe do Ministério de Relações Exteriores canadense criticou desdém por direitos humanos e mídia saudita respondeu com ameaça no estilo 11 de setembro

Ativista em frente à embaixada saudita em Jakarta, na Indonésia. (DARREN WHITESIDE / REUTERS).

A Arábia Saudita executou e crucificou um homem de Mianmar na cidade sagrada de Meca, na quarta-feira (08), em uma rara punição reservada aos crimes mais severos e sancionada pelas leis Islâmicas, segundo informou o governo saudita.

De acordo com a agência de notícias oficial Saudi Press, Elias Abulkalaam Jamaleddeen foi acusado de invadir a casa de uma mulher em Mianmar, disparando tiros e a esfaqueando várias vezes, o que a levou à morte. Ele também foi acusado de roubar armas e tentar matar outro homem, cuja casa ele invadiu, bem como tentar estuprar uma mulher. As autoridades sauditas não divulgaram imagens da crucificação.

[featured_paragraph]A decisão foi apoiada pela suprema corte do país e endossada pelo rei. Crucificações na Arábia Saudita são incomuns e envolvem pendurar um corpo em público após execução por decapitação.[/featured_paragraph]

A notícia da execução ocorreu em meio a uma amarga disputa diplomática entre a Arábia Saudita e o Canadá por uma declaração do governo canadense, por meio do Twitter, que pedia às autoridades sauditas a “libertação imediata” de ativistas da sociedade civil e dos direitos das mulheres, detidos nas últimas semanas.

Em resposta, a Arábia Saudita declarou o embaixador canadense persona non grata e pediu o seu retorno para Ottawa, congelando todos os acordos de comércio e investimento, cancelando programas de intercâmbio educacional e suspendendo voos provindos e com destino ao Canadá, o que pode complicar os planos de viagem da população muçulmana do país para a peregrinação anual de Hajj a Meca, no final deste mês.

A mídia saudita também tomou uma decisão sombria na segunda-feira (6), quando pareceu ameaçar o Canadá com um ataque ao estilo de 11 de setembro, twittando uma montagem gráfica com a imagem de um avião voando em direção ao horizonte de Toronto, com os dizeres “Aquele que interfere no que não lhe diz respeito, encontra o que não o agrada”. Logo após a publicação, a conta saudita excluiu o tweet e republicou outro sem o avião. O especialista em política no Oriente Médio, Tobias Schneider, publicou um print do post deletado.


Chrystia Freeland, chefe do Ministério de Relações Exteriores do Canadá, cujo tweet provocou a hostilidade, disse que “o Canadá continuará defendendo os direitos humanos e os bravos homens e mulheres que pressionam por esses direitos fundamentais em todo o mundo”.

Na quinta-feira (09), ela twittou sobre Samar Badawi, uma ativista dos direitos das mulheres recentemente detida, que é irmã de Raif Badawi, um ativista que permanece preso na Arábia Saudita: “Canadá está junto com a família Badawi neste momento difícil, e continuamos a clamar fortemente a soltura de ambos Raif e Samar Badawi”.

A Organização Saudita Europeia pelos Direitos Humanos reporta que 146 pessoas foram executadas em 2017, um pouco menos do que as 154 executadas em 2016. “Esse nível de execuções não é testemunhado desde meados dos anos 90”, disse o grupo em um relatório divulgado esta semana. O grupo disse ainda que, em abril de 2018, as autoridades sauditas haviam executado 47 pessoas e estavam a caminho de alcançar os números do ano passado.

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