Apreciar vinho é fácil e não precisa ser caro

Ednilson Aguiar/O Livre

Ana Cristina Crespani

Ana Cristina Sucolotti, especialista em vinhos e autora da coluna Sobre Vinhos, do Livre

Uma taça na mão, uma conversa agradável e um vinho de qualidade. É assim que começa a nossa jornada pelo fascinante mundo do vinho. Mas convenhamos, diante de uma prateleira com infindáveis rótulos – nacionais e importados – não é uma tarefa simples escolher a melhor garrafa para cada ocasião. Marca, safra, região, tipo de uva, tudo tem importância. Inclusive o preço que estamos dispostos a pagar.

Mas uma observação é fundamental aos navegantes: o melhor vinho não é necessariamente o mais caro, mas sim aquele que mais te agrada. Tenha esse pensamento como bússola nessa viagem.

Para quem está iniciando nesse mundo, permita-se provar, conhecer e apreciar essas novas sensações. O primeiro passo é, efetivamente, experimentar. Observar os nomes da uva, região e safra é uma iniciativa interessante. Mas nada se compara ao conhecimento do nosso paladar. Dessa forma, saberemos o que realmente nos agrada.

Não tenha medo de comprar um vinho, mesmo diante da tantas opções, preços e estilos. Hoje, há muitos vinhos com preços bastante acessíveis. O importante é chegar na loja, ou no supermercado, e arriscar. Compre uma garrafa, leve para casa, prove e vá formando o seu acervo pessoal. Essa atitude simples é o que, neste universo, chamamos de “construir o seu repertório”. Não é a toa que a linguagem relacionada ao vinho costuma ser um pouco mais rebuscada: o vinho é poesia e música engarrafada. 

Outro conselho que trago para quem pretende entender mais sobre vinhos é juntar amigos nessa empreitada. É possível e prazeroso formar uma “confraria do vinho”, onde cada um leva uma garrafa e todos podem experimentar rótulos desconhecidos. Com isso, novas sensações vão surgindo e opiniões são divididas. Uma confraria pode ser um jeito fácil, barato e descontraído de começar a apreciar e aprender sem muitas regras.

Uma dica que costumo dar aos iniciantes, e até mesmo a alguns iniciados nesse universo, é para não buscar vinhos de países distantes. Pelo contrário. Comece por vinhos do Novo Continente. Por que não pelo Brasil? Há bons vinhos aqui. Além disso, Chile e Argentina são grandes potências da vinicultura. Começando por aqui, teremos uma noção clara sobre tipos de uvas e estilos. Os nossos vinhos têm abordagens mais fáceis do que os europeus, que são muito complexos e algumas vezes mais caros.

É interessante colocar um limite de preços para as primeiras jornadas. Não é necessário começar degustações com rótulos que custem mais de R$ 150. Tudo é questão de adaptação. O valor, no final das contas, não é chancela da qualidade. Procure por vinhos de pequenas vinícolas, chamadas “vinícolas boutiques”, produções limitadas, produtores que fazem vinhos com excelência, verdadeiros “achados”. Não se impressione apenas pelo rótulo mais conhecido. Permita-se o novo, permita-se descobrir! Esse é o caminho mais belo e prazeroso para dentro desse universo. Seja bem-vindo! 

Ana Cristina Sucolotti é sommelière e consultora na criação de adegas. Já trabalhou com diversos restaurantes e também na montagem de coleções particulares. Ela é especialista certificada pela WSET/Londres, uma das instituições mais renomadas no assunto.  

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