Após suspeita de fraude em cotas, UFMT lista nomes de mais de 200 candidatos inelegidos

Nas últimas semanas, candidatos do Sisu que optaram com Ações Afirmativas precisaram comprovar declarações

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

A Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) divulgou nessa segunda-feira (18) o resultado das análises dos candidatos do Sistema de Seleção Unificado (Sisu), que optaram por utilizar as chamadas “ações afirmativas”. A medida é resultado de uma série de denúncias feitas por suspeita de fraude no sistema de cotas. Apenas no campus Cuiabá foram mais de 100 pessoas consideradas inelegidas. Os candidatos ainda podem recorrer.

Nas últimas semanas, os candidatos que se inscreveram para a universidade por meio de cotas passaram por análise da Comissão Permanente de Homologação e Acompanhamento de Matrículas por Ações Afirmativas e tiveram que comparecer na instituição. Como resultado, apenas em Cuiabá 112 pessoas tiveram a matrícula cancelada por não serem consideradas o “público-alvo” das ações afirmativas escolhidas.

Além de Cuiabá, também passaram pelo procedimento candidatos dos campi Araguaia, Rondonópolis, Sinop e Várzea Grande. Ao todo, contando com os alunos inelegidos da Capital, 229 vagas devem ser liberadas.

[featured_paragraph]O indeferimento da matrícula dos candidatos estava previsto no item 4 do Edital complementar n. 04/2019, que compõe o Edital do Processo Seletivo SISU na UFMT, nº 002/2018.[/featured_paragraph]

Segundo o texto, quem não comparecesse ao procedimento de verificação depois da convocatória da Comissão de Homologação e Acompanhamento de Matrículas sem justificativa deferida, ou aqueles que não tivessem sua autodeclaração confirmada, seriam considerados inelegidos no processo seletivo e, portanto, teriam a matrícula cancelada.

Apesar do resultado, os candidatos que se considerarem injustiçados ainda podem recorrer do indeferimento da matrícula. Para isso, terão que apresentar o recurso via Sistema Eletrônico de Informação (SEI). Nele, o candidato deve preencher um formulário com dados pessoais, o tipo de vaga para a qual se candidatou e fundamentar uma justificativa para o recurso.

Denúncias

No fim de janeiro, representantes do movimento estudantil e coletivos da universidade passaram a denunciar suspeitas de fraude por parte de cotistas que estariam optando pelas vagas destinadas à candidatos negros, pardos ou indígenas. O caso repercutiu na mídia e foi levado ao Ministério Público Federal, que passou a investigar o caso.

Autor da primeira denúncia feita na UFMT, representante da União Nacional dos Estudantes (UNE) junto ao Conselho Estadual de Educação, Vinícius Brasilino, comemorou o resultado em suas redes sociais.

Segundo ele, por ter exposto o caso, terá que participar de duas audiências de conciliação, movidas por estudantes denunciados. No entanto, ele considerou o indeferimento das matrículas uma vitória.

“Hoje tivemos vitórias no MPF e na UFMT, os denunciados estão inelegidos por não estarem de acordo com o edital. A UFMT está de parabéns pela seriedade em que conduziu a situação. Resguardamos o direito pra quem verdadeiramente precisa. Cotas não é e nunca será por conveniência. Hoje vou dormir com um sentimento de dever cumprido, tem muito mais ainda a fazer pra fazer valer o nosso acesso à Universidade, mas já foi um ótimo começo”, escreveu.

Para conferir o resultado das análises, clique aqui.

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