Após oito anos, VLT já consumiu R$ 180 milhões e continua sem uso

Obra passou por três gestores estaduais diferentes e ainda está longe de ter um desfecho

Ednilson Aguiar/ O Livre

Oito anos depois do lançamento das obras, o Veículo Leve sobre Trilho (VLT) ainda é uma polêmica. Mato Grosso continua a pagar o empréstimo, os prazos para resolução do entrave de serviços parados estão estourados e, oficialmente, não há previsão de quando o problema será resolvido. 

No próximo dia 20, o modal, que deveria ter começado a funcionar em junho 2014, para a Copa do Mundo, faz mais um aniversário e o tempo de serviços parados é quatro vezes maior do que o gasto na execução. 

Conforme a Secretaria de Fazenda (Sefaz), desde 2013, Mato Grosso já pagou R$ 180 milhões por um serviço sem uso. É uma média de R$ 29 milhões por ano cada cada até 2019. É uma fatia 20% do total de R$ 1 bilhão emprestados da Caixa Econômica Federal e do Banco Nacional do Desenvolvimento Social (BNDES). 

Caminho aberto para a instalação dos trilho do modal, na avenida Fernando Corrêa, em Cuiabá, hoje estão ocupados com coqueiros por causa da indefinição sobre obra (Foto: Ednilson Aguiar/O Livre)

O governo busca, na esteira da pandemia do novo coronavírus, a suspensão dos pagamentos enquanto durar os efeitos da retração econômica. A Sefaz informou que não há estimativa para retorno das instituições financeiras com a resposta. 

Enquanto isso, trilhos instalados em alguns trechos de Cuiabá e Várzea Grande começam a enferrujar ou estão sendo retirados para improvisar jardinagem. As valas abertas para adequação do terreno estão a céu aberto. 

À espera de mobilidade 

O esvaziamento de recursos pela corrupção, investigados pela Polícia Federal, e a crise econômica a partir de 2014, levou o governo de Pedro Taques a buscar a ajuda da União para custear a execução do restante do projeto. 

Mas, ainda não há resposta. E a situação se complicou devido à constante mudança de titulares na Secretaria Nacional de Mobilidade Urbana no governo de Jair Bolsonaro, desde o ano passado. 

As mudanças já adiaram em pelos duas vezes as datas previstas para uma resposta da pasta. O último venceu em fevereiro deste ano. A secretaria de mobilidade pediu prazo de três meses, em novembro passado, para apresentar seu relatório sobre as obras e a estimativa de gastos. 

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Estudo sem resultado

O governo de Mato Grosso informou, esta semana, que ainda não há uma definição sobre o assunto, mas “várias trocas” foram realizadas com a secretária mobilidade. 

O departamento de assuntos especiais do Ministério do Desenvolvimento Regional não respondeu ao questionamento do LIVRE até a publicação dessa matéria.  

Paralelamente, encerrou o prazo para entrega de um estudo realizado pelo Grupo de Trabalho Mobilidade Urbana, montado pelo governo estadual para avaliar as condições de conclusão das obras. O prazo divulgado pelo governo iria até abril. 

Vagões estão à espera de funcionamento em depósito em Várzea Grande há mais de seis anos (Ednilson Aguiar/ O Livre)

As duas frentes de estudo não tinham divulgado seus pareceres até o início deste mês. 

Entenda o caso

As obras do VLT foram paralisadas em 2014 por falta de pagamento pelo governo de Mato Grosso ao consórcio responsável pela obra. Na época, ele afirmou que havia executado serviços e aguardava o pagamento.

O assunto ainda é polêmica, visto que apontamentos do governo de Pedro Taques indicam o pagamento por serviço não executados. O consórcio mantém a posição de que a suspensão, em dezembro de 2014, ocorreu “dias após a comunicação” ao governo de Silval Barbosa da falta de pagamento.

“O consórcio segue à disposição das autoridades públicas, como sempre demonstrou, com a plena intenção em concluir a implantação do modal de transporte público, para uso da população”, informou. 

Em 2017, Silval e os representantes do consórcio foram alvos da Polícia Federal na Operação Descarrilho, que investiga sobrepreço, pagamento de propina e lavagem de dinheiro via as obras da matriz da Copa do Mundo 2014. 

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