Após estudar em contêineres, alunos devem ser transferidos para igreja

Alunos da Escola Estadual Hermelinda de Figueiredo estão há quase três anos esperando por reforma

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Após deixar uma série de alunos da Escola Estadual Hermelinda de Figueiredo, em Cuiabá, estudando em salas de aula improvisadas em contêineres, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) agora pretende transferir os alunos para uma igreja. A informação foi repassada pela mãe de uma aluna do 5ª ano da escola e confirmada pela própria secretaria.

De acordo com a mãe, Mariana Barbian, um assessor pedagógico da secretaria se reuniu com os pais dos alunos na terça-feira (7) para informar que os contêineres utilizados para salas provisórias seriam devolvidos à empresa responsável até o dia 5 de junho.

A alternativa que a Seduc teria encontrado era transformar a atual sala onde funciona a biblioteca em duas salas de aula e transferir três turmas para a Igreja Santa Maria Goretti, em frente à escola.

No entanto, os pais não concordariam com a medida, já que os alunos ficariam fora do ambiente escolar e, na hora do intervalo, eles teriam que ir à escola, atravessando sozinhos a rua que divide as duas instituições, o que colocaria as crianças em perigo.

“Nós sugerimos então que a Seduc transferisse os alunos para a Escola de Saúde Pública, que é próxima de lá e que tem toda a estrutura e segurança para nossos filhos, mas aí o assessor pedagógico disse que não consegue essa negociação com a Secretaria de Saúde. Então a gente tenta dar solução, mas eles não aceitam”, reclamou Mariana.

Segundo a diretora da escola, Patrícia Cardoso, a transferência para a Escola de Saúde Pública não seria possível, porque a Secretaria de Estado de Saúde (SES) já disponibiliza o espaço para a Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secitec).

Foto: Reprodução

Patrícia explicou que a escola estadual Hermelinda espera pela reforma desde 2016. A chuva em 2017 só agravou uma situação já necessária. Os alunos foram então provisoriamente transferidos para as salas de aulas em contêineres, onde estão realocados deste então.

A diretora da instituição contou que engenheiros do Governo teriam ido até a escola para saber a real situação do local. Apesar de dizerem que a escola está na lista de prioridade da Seduc, a equipe garantiu que as obras não começam antes de seis meses.

“Era para essa obra ter saído na gestão passada, então são muitas promessas. Os pais já estão desacreditados. E apesar da boa vontade da nova gestão, os pais não acreditam que essa reforma vá sair. Já estamos até perdendo alunos em função disso”, contou Patrícia.

Ela disse que ontem mesmo, após a reunião com o assessor pedagógico, um pai teria cansado de esperar pelas melhorias e resolveu realizar hoje a transferência dos dois filhos. Atualmente a escola possui pouco mais de 400 alunos, mas a diretora acredita que este número deva crescer, já que muitos condomínios estão sendo construídos nas proximidades.

Além de alunos que residem no bairro Coophema, a escola também atende estudantes que moram no Jardim Gramado, Parque Geórgia, Parque Ohara e outros.

A mãe da aluna de 10 anos que denunciou a situação disse que os pais se organizaram em um grupo de WhatsApp para discutir a situação dos filhos e que já teriam também protocolado a situação na própria Seduc e no Ministério Público Estadual (MPE), mas ainda aguardam resposta.

Outro lado

Nós entramos em contato com a assessoria de imprensa da Seduc que confirmou as informações, mas garantiu que, em acordo com a comunidade escolar, parte das turmas serão transferidas para a igreja. No entanto, a secretaria afirmou que os alunos que forem deslocados para lá, terão a merenda servida no próprio local.

A Pasta esclareceu ainda que se trata de uma medida emergencial. Questionada sobre o porquê de as obras até hoje não terem sido realizadas e qual seria o prazo para que fossem entregues, a Seduc não se manifestou. Confira na íntegra a nota da secretaria:

Em relação à Escola Estadual Hermelinda de Figueiredo, a Secretaria de Estado de Educação (Seduc) informa que:

As cinco salas de aula, que funcionavam nos contêineres serão desativadas. Três funcionarão em salas da Paróquia Santa Maria Gorethe, por meio de cessão de uso. As outras duas salas funcionarão na biblioteca, que será readequada com a utilização de divisórias.

A decisão para que as salas funcionassem na Paróquia foi acordada em reunião com a própria comunidade, inclusive registrada em ata.

Nas novas  salas, os alunos não precisarão se deslocar até a escola, atravessando a rua, uma vez que a alimentação escolar será servida nas salas cedidas pela comunidade paroquial.   

A Seduc reitera que a utilização das salas da igreja se trata de uma situação emergencial para resguardar a integridade dos alunos e, principalmente, garantir o ano letivo, sem prejuízo para os mesmos.

A Seduc também concedeu autonomia para que a comunidade procure outro espaço nas proximidades da escola. 

Quanto ao uso do espaço da Escola de Saúde Pública, pertencente à Secretaria de Estado de Saúde (SES), não existe disponibilidade de uso. Conforme informou a SES, o prédio possui duas salas para cursos da própria pasta e as demais para funcionamento de dependências administrativas.

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