Após confessar esquema, ex-secretário de Saúde é solto

Além de Huark, outros dois médicos também foram soltos. Os três são acusados de serem os líderes de um esquema de monopólio da Saúde em Mato Grosso

Foto: Ednilson Aguiar/O Livre

O ex-secretário de Saúde de Cuiabá, Huark Douglas Corrêa, preso pela segunda vez desde o fim de março, conseguiu, no fim dessa sexta-feira (3), revogar sua prisão preventiva. Ele foi alvo da Operação Sangria, deflagrada pela Delegacia Fazendária (Defaz), que apurou fraudes em contratos e licitações para manter três empresas com o monopólio da prestação de saúde em Mato Grosso, e está preso em uma unidade militar de Cuiabá.

A informação sobre a liberdade de Huark foi primeiro divulgada pelo site MidiaNews, que informou que Huark teria confessado sua participação no esquema, no qual ele seria o líder da organização, conforme denúncia do Ministério Público.

Além de Huark, também foram soltos Luciano Correia Ribeiro e Fábio Liberali Weissheimer, médicos que também seriam parte do núcleo de liderança da suposta organização criminosa. Segundo as investigações da Polícia Civil, o grupo usava influência política para conseguir manter três empresas de saúde como prestadoras de serviço.

Dos denunciados pelo esquema, os três eram os únicos que ainda estavam presos e um forte rumor de possível acordo de colaboração premiada passou a se espalhar nos bastidores do Judiciário.

Conforme informou a reportagem, os três médicos confessaram os crimes e, inclusive, chegaram a relatar pagamento de propina a agentes públicos. Foi a “postura colaborativa” dos acusados que fez com que a juíza Ana Cristina da Silva Mendes, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá, revogasse suas prisões.

“Contudo, no decurso do processamento desta Ação Penal, os acusados passaram a adotar uma postura colaborativa, o que foi devidamente reconhecido pelo juízo ao deferir o pedido de transferência dos acusados para uma unidade prisional em que conferisse possibilidade de tratativas com a defesa, com vias de que eles efetivamente pudessem contribuir com as investigações”, diz trecho da decisão, publicada pelo MidiaNews.

Agora, tanto o ex-secretário quanto os outros médicos deverão cumprir medidas cautelares, inclusive o uso de tornozeleira eletrônica. As medidas impostas foram a proibição de entrar em órgãos públicos, retenção do passaporte, comparecimento em todos os atos do processo e a proibição de saírem da comarca de Cuiabá sem autorização da justiça.

Operação Sangria

A operação da Delegacia Fazendária teve duas fases, sendo que a primeira, deflagrada no início de dezembro de 2018, foi para cumprimento de mandados de busca e apreensão, enquanto a segunda para prisão preventiva. Foi na segunda fase que, tanto Huark quanto outras seis pessoas, foram presas. O ex-secretário de saúde e outros médicos eram acusados de tentativa de obstrução à justiça, considerando que diversos documentos teriam sido exterminados.

Depois da prisão, o grupo conseguiu liberdade, mas voltou para a cadeia no dia 29 de março, quando o desembargador do Tribunal de Justiça de Mato Grosso (TJMT), Alberto Ferreira, reformou uma primeira liminar, concedida por ele mesmo, que dava a liberdade para os acusados.

No dia 10 de abril, porém, a Segunda Câmara Criminal do TJMT decidiu soltar outras quatro pessoas acusadas de integrar a suposta organização. São eles, Celita Natalina Liberali Weissheimer, Fábio Alex Taques Figueiredo, Kedna Iracema Fontenele Servo Gouvea, e o ex-secretário-adjunto de Saúde, Flávio Alexandre Taques da Silva. Segundo a denúncia, eles seriam do “núcleo subalterno” do suposto esquema.

Já o núcleo de liderança, formado pelos três médicos soltos nessa sexta-feira (3), foi mantido preso, uma vez que a defesa desistiu do pedido de liberdade. Agora sabe-se que é devido ao acordo firmado com a 7ª Vara Criminal de Cuiabá.

Outro lado

Ao fim da manhã deste sábado (4), o advogado dos três médicos, Hélio Nishiyama, confirmou a revogação da prisão preventiva e informou que a decisão já havia sido cumprida, ainda na noite de ontem.

Atualizada às 15h50

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