Após atropelamento triplo de garis, sindicato irá acionar MPE sobre más condições de trabalho

Um dia antes do atropelamento, representantes da categoria usaram a tribuna da Câmara Municipal para, mais uma vez, denunciar jornadas excessivas e estrutura precária

Um novo acidente envolvendo garis em Cuiabá – desta vez, um atropelamento triplo – reacendeu as discussões sobre as más condições de trabalho destes profissionais. O perigo já havia sido anunciado na quinta-feira (18), quando representantes da categoria usaram a tribuna da Câmara Municipal para, mais uma vez, denunciar jornadas excessivas e estrutura precária.

O vereador Dilemario Alencar (PROS) anunciou que, junto ao Sindicato dos Trabalhadores na Limpeza Urbana (Sindilurbe), irá levar a questão novamente à Delegacia Regional do Trabalho e ao Ministério Público Estadual (MPE).

A categoria reivindica os recursos anuais, de quase R$ 40 milhões, com a Prefeitura de Cuiabá, para investimento em coleta de lixo. Enquanto isso, a nova licitação do serviço aposta na construção de um conjunto de seis lixeiras subterrâneas; a primeira unidade foi inaugurada neste mês na região central.

Na sessão extraordinária da Câmara, o presidente do Sindilurbe, Wenderson Alves, e o gari Luis Bandeira relataram serem submetidos a jornadas excessivas – sem pagamento de horas extras – falta de equipamentos de segurança e exposição ao risco de contaminação por chorume. Eles também dizem temer pela vida trabalhando em caminhões velhos.

No dia seguinte (19), três garis estavam sentados em bancos de concreto na Avenida Secundária III, quando um veículo Fiat Pálio Weekend Trekking prata subiu na calçada e atropelou os trabalhadores, fugindo sem prestar socorro. Paulo Eder Farias de Arcangelo, 20 anos, e Anderson da Cruz Ferreira, 34 anos, precisaram ser socorridos pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e foram encaminhados ao Pronto-Socorro de Cuiabá.

Histórico

Não é de hoje que os garis enfrentam problemas no trabalho. Após os atropelamentos de dois profissionais, acontecidos com um intervalo de apenas uma semana, a categoria resolveu chamar a atenção do Poder Público. O Sindilurbe aponta descumprimento das leis trabalhistas e normas de segurança no trabalho por parte da empresa Locar Saneamento Ambiental Ltda, responsável pela coleta de lixo na capital.

No final de 2018, o MPE instaurou um inquérito civil para apurar uma denúncia de direcionamento de licitação, realizada pela Prefeitura de Cuiabá, à Locar. A empresa chegou a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) se comprometendo a regularizar os serviços, mas nada mudou quanto à condição dos trabalhadores.

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