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Crônicas Policiais

Após 18 anos, jovem denuncia padrasto ao descobrir que filho também é estuprado

Foto de Karina Cabral
Karina Cabral

Uma jovem de 27 anos tomou coragem nessa quarta-feira (22) e, depois de anos de abuso, dor, sofrimento e silêncio forçado, resolveu denunciar o padrasto, hoje com 46 anos, por tê-la estuprado desde os nove anos de idade. O caso aconteceu em Sinop (500 km de Cuiabá).

Segundo a jovem, a mãe sempre soube dos abusos e da violência física, e o que a motivou a só agora fazer a denúncia foi descobrir que seu filho, de cinco anos, pode também estar sendo vítima do suspeito.

Conforme o forte relato da vítima, os abusos começaram ainda na infância, quando ela tinha nove anos, e além dos constantes estupros, ela também foi agredida fisicamente até os 16 anos de idade, quando saiu de casa e foi conviver com um namorado, que se tornaria pai de seu filho.

A vítima afirmou que a mãe sempre soube, tanto da violência sexual, quanto da física, mas nunca reagiu, sendo inclusive conivente com o marido.

Depois de anos casada, o pai do filho da jovem morreu e, viúva e desemparada, ela precisou retornar para a casa da mãe, levando o filho consigo. De volta à casa onde havia vivido sete anos de terror, as violências também retornaram.

A irmã da jovem também mora na casa, junto às duas filhas dela, de cinco e dois anos. Segundo a vítima que procurou a polícia, quando crianças o padrasto também olhava as duas tomando banho e trocando de roupa.

Ela ainda afirmou que até hoje ela e a irmã sofrem muita violência psicológica na casa, sendo humilhadas frequentemente, com xingamentos que chegam ao ponto de o padrasto dizer que elas são piores do que a cadela dele.

Há poucos dias, a jovem ouviu a mãe dela conversando com o padrasto sobre o filho dela (que considera o suspeito como avô), de cinco anos, perguntando se ele havia abusado sexualmente do menino, ou ensinado ele a mostrar o órgão genital a outras crianças, visto que o pequeno estava se comportando assim.

Além da conversa, a vítima também começou a notar ações estranhas de seu filho, como um dia em que ele passou a mão nas nádegas dela. Ela perguntou o motivo de ele ter feito isso e teve como resposta que o avô havia ensinado e dito que fazer isso era bom, além de “passar os órgãos genitais no bumbum era bom”.

Depois de anos de sofrimento e, agora, assustada com a possibilidade de seu filho também estar sendo vítima do padrasto, a jovem procurou a polícia, registrou um boletim de ocorrência e, junto à irmã e às filhas dela, saiu, mais uma vez, da casa da mãe e do padrasto.

O caso foi registrado como estupro de vulnerável e injúria e será investigado pela Polícia Judiciária Civil.

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