Após mais de 10 anos, Justiça condena homem que atacou a esposa com facão

Apesar de ter sido condenado, ele não ficará na cadeia; sentença não fala em tornozeleira eletrônica

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Era por volta das 16h30, do dia 9 de setembro de 2006, quando Iraildes, dentro de sua própria casa, no bairro Vila Nova, em Cuiabá, sofreu uma tentativa de homicídio praticada pelo companheiro, José Cícero da Silva, com quem convivia há nove anos. Pelo crime, o Tribunal do Júri o condenou, na quinta-feira (9), a mais de 10 anos de reclusão. No entanto, ele não passará nem um dia na cadeia.

O crime aconteceu depois que José já tinha passado a manhã toda bebendo e acabou discutindo com a esposa. O motivo era ela não querer que ele fosse trabalhar embriagado. José estava no quarto do casal e Iraildes foi até o local para pegar um objeto em sua bolsa.

José havia escondido um facão embaixo do colchão e apenas aguardou a aproximação da esposa para matá-la. À Justiça, ele alegou acreditar que Iraildes estivesse com uma faca na mão.

A mulher foi surpreendida e atingida por diversos golpes que a feriram na cabeça, na testa, no ombro direito, no antebraço esquerdo e na mão direita, segundo a denúncia do Ministério Público. Para se defender, ela entrou em luta corporal com o marido e conseguiu tirar o objeto de sua mão.

Acreditando que teria atingido a mulher com golpes suficientes para matá-la, José a empurrou e fugiu. Mas Iracildes não morreu. Ela foi socorrida pelo filho, que chamou a polícia e a levou até um hospital.

Iracildes permaneceu no Pronto-Socorro de Cuiabá por quase três meses, ficou cega do olho direito e perdeu os movimentos da mão esquerda.

O caso foi analisado pelo juízo da 1ª Vara Criminal de Cuiabá em 2008, quando a juíza da época, Amini Haddad, observou que a denúncia contra José revela a “crueldade do réu e sua periculosidade” e pontuou que o acusado também responde a um processo por homicídio em Sinop (500 km de Cuiabá).

A magistrada negou o pedido feito pela defesa do acusado, para que o caso passasse de tentativa de homicídio para o crime de lesão corporal. Para o pedido, ele alegou a legítima defesa.

O processo continuou tramitando até que, nessa quinta-feira, José foi condenado pelo Tribunal do Júri por homicídio qualificado tentado. A sentença, que foi homologada pela juíza Mônica Catarina Perri Siqueira, foi de 10 anos e 4 meses de reclusão, mas de início José vai cumpri-la em regime semiaberto. Na decisão também não consta se ele será monitorado por tornozeleira eletrônica.

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