Antônio Joaquim diz que foi vítima de “rancor” e “ardil político” de dois ex-governadores

Conselheiro foi reintegrado ao Tribunal de Contas nesta terça-feira (23), com críticas a Silval Barbosa e Pedro Taques

(Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

De volta ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas de Mato Grosso (TCE-MT), Antônio Joaquim disse que ter sido vítima de “rancor” e “ardil político” e dos ex-governadores Pedro Taques (SD) e Silval Barbosa (sem partido), que confluíram para seu afastamento da função pelo período de três anos e cinco meses. 

Em discurso de reintegração ao cargo nesta terça-feira (23), Antônio Joaquim afirmou que as decisões judiciais que o retiraram do posto são infundadas e continuam se comprovação de prática de crimes. 

“Eu passei por um turbilhão [de acontecimentos] nos últimos três anos, que agora me causam revolta pela injustiça que sofri. Fui vítima de uma trama maldosa por contestar ações do governo de Silval Barbosa e pela mente raivosa do governador Pedro Taques”, disse.  

Citação em delação

Antônio Joaquim aparece duas vezes na delação do ex-governador Silval Barbosa. Em uma delas, é citado nominalmente sobre a negociação de venda de uma fazenda ao empresário Wanderley Fachetti de Torres, dono da construtora Trimec, em 2012. 

Silval afirmou que a negociação foi concluída com dinheiro público, desviado do Executivo por meio de fraude em licitação. Ele também confessou que era sócio oculto de Wanderley Fachetti. 

Ex-governador Silval Barbosa (Foto: Ednilson Aguiar/ O Livre)

“O próprio empresário disse que não me falou que era sócio de Silval, sócio oculto. Como eu poderia saber?”, disse o conselheiro. 

Em outra situação, Antônio Joaquim é implicado na suposta negociação de propina de R$ 56 milhões aos conselheiros. Dinheiro que Silval Barbosa teria pago pela aprovação de suas contas de governo.  

Na época, Mato Grosso executava o projeto das obras da Copa do Mundo de 2014. 

“A minha contestação às obras está nos 12 relatórios que fiz de acompanhamento das obras, dizendo que não iriam terminar. Eu era duramente criticado pelo governo e por muitos da imprensa. E o que temos agora?”, questionou. 

A disputa ao governo 

O conselheiro afirmou ainda que o então governador Pedro Taques se aproveitou da delação de Silval Barbosa, assinada com a Procuradoria Geral da República (PGR), para impedir sua participação na eleição geral de 2018. 

Ex-governador Pedro Taques (Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

Com base no depoimento, Taques teria pedido à PGR, na época comandada por Rodrigo Janot, para conseguir dois afastamentos de Antônio Joaquim do TCE. 

“Eu subestimei a mente raivosa de Pedro Taques. Eu anunciei meu afastamento do Tribunal de Contas para disputar ao governo, mas não esperava que o Taques conseguiria, em conluio com Rodrigo Janot, me afastar [criminalmente]”, disse. 

Antônio Joaquim afirmou que “o golpe algoz” foi a rejeição de sua aposentadoria também por Pedro Taques. A confirmação de encerramento de carreira para conselheiros do TCE depende de chancela do governador em exercício. 

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