14 de abril de 2026 04:07
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Angústia, tristeza e obesidade: como a quarentena vem afetando as crianças

Foto de Reinaldo Fernandes
Reinaldo Fernandes

Seu filho está irritado, perde o sono ou comendo além do normal? Esses comportamentos podem ser efeitos da quarentena imposta pela pandemia da covid-19.

Oito meses após a declaração de estado de calamidade sanitária, que levou ao fechamento das escolas, as crianças estão sentindo bastante a interrupção abrupta de suas atividades cotidianas e do isolamento dentro de casa. 

Os pequenos também deixaram de ver os amigos, de ir aos passeios habituais e essas mudanças afetam o equilíbrio psicológico.

Crises de angústia e tristeza

Segundo a psicóloga e pesquisadora da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Micheli Jacobi, é “inevitável” que a cabeça dos filhos passe por uma fase de confusão por causa do isolamento – e os efeitos que vêm sendo observado até o momento são irritabilidade, níveis altos de ansiedade, alterações no apetite, crises de angústia e tristeza. 

“Há aproximadamente oito meses o contato físico acompanhado de beijos, abraços e apertos de mãos foram limitados na nossa rotina, bem como as atividades coletivas na escola. Não sabemos se esses sintomas são temporários, até porque a pandemia não está sendo temporária. Mas podemos pensar que um sintoma em constância afeta o psíquico”, explica. 

 A fragilidade emocional pode vir acompanhada de problemas de saúde. Após oito meses de pouca atividade e alterações no apetite, a obesidade infantil passou a ser considerada como um fator de maior incidência. 

Já as alterações de humor, comenta a psicóloga, pode ainda ter relação com o medo da morte ou de perda de um ente querido.

O conselho é conversar com os filhos e ajudá-los a processar, com limitações sobre o assunto, aquilo que alterou a sua vida. 

“Existem diferentes percepções sobre a pandemia, por isso é importante pensar, ouvir e falar com empatia, principalmente com as crianças. É recomendado criar uma rotina para os filhos, pois isso lhes dá segurança – e ainda é preciso explicar que os cuidados precisam ser mantidos”, disse. 

Cuidado com a internet 

A ansiedade para as crianças pode durar um pouco mais, por causa da discussão sobre quando será o momento adequado para o retorno das aulas. Hoje, boa parte das atividades sociais estão quase perto do normal, mas a reabertura das escolas ainda é um borrão no horizonte. 

Questionada se as redes sociais são recomendadas para colocar os filhos em contato com amigos, a psicóloga ressaltou que, apesar de a tecnologia ter se tornado uma aliada para a distração dos filhos durante o isolamento, o excesso também tem efeitos negativos. 

“Devemos pensar que o uso inadequado das tecnologias não faz bem para ninguém, em especial para as crianças, que podem receber informações que não são para a idade, ou ainda expô-las a um excesso de estímulos, com os jogos”, comentou. 

Elas servem para colocar os filhos em contato com parentes e amigos, mas é necessário cautela. O recurso, já conhecido dos pais, é monitorar o que está sendo acessado e com o que ou quem as crianças estão interagindo. 

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