Amamentação de prematuros: médica esclarece mitos e dá dicas

Leite fraco? Em pequena quantidade? Mães de bebês prematuros vivem desafios a mais

(Foto: Wayne Evans / Pexels)

No primeiro semestre de 2021, do total de partos realizados no Hospital Santa Rosa, em Cuiabá, 7,3% foram de prematuros. No Brasil, essa média está em torno de 11,5%.

Para essas mães, o ato de amamentar é um desafio particular. A psicóloga Danielle Martins Moreira dos Santos, de 30 anos, é prova disso. Segundo ela, amamentar seu primeiro filho  foi uma prova de resiliência e muita superação.

Miguel nasceu prematuro com 29 semanas e 1 quilo e 330 gramas, no dia 12 de julho de 2019.

“Logo que ele nasceu eu comecei o processo de tirar o leite, primeiro de forma manual, e a equipe da UTI já alimentou Miguel com o meu colostro. Foram 39 dias com Miguel no hospital e, mesmo separados, segui fielmente os horários de extração do leite. Tive ajuda de uma enfermeira que me ajudou a fazer com a máquina. Eu colocava o despertador e tirava leite inclusive de madrugada. Foi muito difícil, mas eu precisava ser disciplinada, pois queria muito que meu filho se alimentasse com o meu leite”, ela conta.

(Foto: Assessoria)

Leite fraco?

Médica pediatra neonatologista e coordenadora da linha materno infantil do Santa Rosa, Paula Gattass Bumlai afirma que o leite de mulher que tiveram partos premauros é realmente difernete, mas não mais fraco.

“É como se o corpo da mulher, ao ter um parto prematuro, enviasse uma mensagem, preparando um leite muito mais rico e de fácil digestão para esse organismo imaturo”, ela explica.

Quanto à separação física entre mãe e bebê – muitos prematuros precisam ir para a UTI Neonatal e passam longos períodos afastados da mãe -, a pediatria destaca a necessidade de uma equipe preparada para lidar com a situação.

“Temos que lidar com vários aspectos que passam por questões físicas, biológicas, emocionais. De um lado temos uma mãe, que muitas vezes está vivendo uma frustração, uma quebra de expectativas com o nascimento prematuro do seu bebê. De outro, o recém-nascido que ainda não está com seu organismo totalmente pronto. Nosso desafio é ajudar nesse vínculo, motivando a mulher a não desistir, pois a falta de estímulo, do contato físico, pode influenciar na produção de leite”.

(Foto: Assessoria)

A persistência da psicóloga Danielle Martins foi recompensada com a evolução de Miguel, que durante todo o período de internação foi alimentado 100% com o leite materno. “Além do meu filho, pude ajudar outras crianças, pois tive tanto leite que doei para um banco de leite”, relembra Danielle.

O que e como fazer?

A pediatra Paula Gattass Bumlai diz que as mães, tão logo seja possível, podem extrair tanto o colostro – de preferência nas primeiras 24 horas após o parto – quanto o leite normal.

“A ordenha pode ser feita com as mãos ou com auxílio de uma bombinha. A extração deve ser feita com uma frequência aproximada de 3 em 3 horas”, ela diz.

“No começo, a quantidade de leite que sai pode parecer pequena, mas não desista. Quanto mais você ordenhar, mais leite vai produzir”, ela completa.

A médic acrescenta ainda que as mães não devem sentir vergonha de procurar ajuda, se necessário.

“A amamentação é um processo que transcende o hospital, às equipes de saúde. Por isso, devemos envolver, além da mãe, pai e todos da família para que haja sucesso”, finaliza.

(Com Assessoria)

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