Alceu Moreira: “o Agro com a Cristina ficou doce”

Em entrevista ao LIVRE, o presidente da Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA) falou sobre os desafios de unir tantos parlamentares em um único propósito: a defesa do agro brasileiro

(Foto: Reprodução/O Livre)

Ele comanda uma das maiores forças políticas dentro do Congresso Nacional, a Frente Parlamentar da Agropecuária (FPA). Comerciante, nascido em Osório (RS), o deputado federal Alceu Moreira (MDB-RS), em entrevista ao LIVRE falou sobre os desafios de unir tantos parlamentares em um único propósito: a defesa do agro brasileiro.

No MDB desde a fundação, já foi vereador,  prefeito, deputado estadual, presidente da Assembleia Legislativa gaúcha e secretário durante o Governo de Germano Rigotto. Gremista, prefere samba às músicas gauchescas, e não dispensa um bom mate amargo.

Basta chegar a qualquer hora no gabinete do parlamentar, que o visitante é recebido com um bom chimarrão. Nas paredes, as lembranças do estado amado. Muito acessível, de fala tranquila, prefere ouvir o que povo tem a dizer e, principalmente, o que a ministra da Agricultura, Tereza Cristina recomenda.

Nos próximos dias, Alceu deverá articular votos para a reforma da previdência, mas já disse que não será unanimidade em um ambiente tão heterogêneo.

Confira as cinco perguntas que Alceu Moreira respondeu para o LIVRE:

1 – Qual o legado que o senhor pretende deixar como presidente da FPA?

Alceu Moreira – Primeira coisa é construir convergências, ter compreensão de que é preciso construir consensos. Nós passamos por um longo período em que as pessoas tinham que ser contra alguma coisa e isso é difícil porque não tira das pessoas o melhor que elas têm para dar. Construir essa união é certamente o maior legado que nós temos que deixar. Mudar essa forma de comportamento e aproveitar o que cada um tem de melhor para contribuir. A frente é heterogênea, tem pessoas com entendimentos diferentes, uma pauta diversificada enorme e não podemos prescindir de nenhuma. A segunda coisa é construir uma segurança jurídica no agro brasileiro. A gente precisa dizer claramente o que o produtor pode fazer em sua propriedade, não o que ele não pode. Nossa Constituição de 1988, vem de um período autoritário e não cabe mais. A burocracia ainda é um dos entraves, mas, principalmente, o preconceito ideológico. Eu defendo que agricultura boa começa no chão e termina na boca do consumidor.

2 – Sobre o preconceito em relação ao agronegócio, como trabalhar isso em um país agrícola como o Brasil?

Alceu Moreira – Precisamos cuidar muito da comunicação e imagem para mostrar que o agro começa no solo e termina na mesa do consumidor. Quando o prato está servido, nós continuamos na vida dele e nós precisamos mostrar a ele toda a caminhada. De onde saímos até chegar na mesa dele para alimentar toda a família. Não existe o agro que é crime até a porteira e extremamente saboroso quando chega à mesa. Lá na festa, o agro continua sendo agro. Não podemos aceitar essa quantidade de massa crítica só porque alguns têm o raciocínio urbano. Ao menos, nesse governo, já temos um ponto que favorece a mudança desse pensamento. Nós não temos mais um governo com laboratório de construção de notícias negativas, o governo joga com a gente.

3 – Quem é mais exigente e costuma dar mais “pitaco” nas decisões do senhor, a sua esposa ou a ministra Tereza Cristina?

Alceu Moreira – Depende do fato. Se a coisa é de casa, assunto doméstico, minha vida pessoal, de longe minha é a minha esposa. Agora, nas coisas do agro, pela relação que eu tenho com a Cristina, como parlamentar, de amizade, é ela. Mas não é nem exigência, a gente troca experiências, ela toda hora liga, não pode ser uma pessoa mais educada, mais amável e generosa.

Alceu ao lado da ministra Tereza Cristina durante encontro na FPA / Foto: Assessoria FPA

4 – O Brasil ganhou muito com a ida dela para o Ministério da Agricultura?

Alceu Moreira – Ela simboliza bem o que é fazer harmonia, o agro com a Cristina ficou doce. Ela não é uma pessoa que tenha qualquer tipo de déficit de decisão. Ela decide, diz o que tem que ser dito, com respeito, com doçura e amabilidade. É muito segura, sabe o que está fazendo. Parece mentira que a mulher mais importante de um Ministério, na minha visão é claro, é do agro e fomos nós que indicamos, mesmo com todos os homens na pasta, ela é a maior autoridade hoje. Tereza tem uma capacidade de trabalho invejável. Se tem alguém que representa bem o governo, é ela.

5 – Quais são os produtores mais difíceis de lidar? Há quem diga que é mais difícil atender as exigências dos produtores de MT….

Alceu Moreira – Imagine a pessoa que saiu do Rio Grande do Sul, o pai  tinha 14 hectares, dez irmãos e agora ele está em Mato Grosso, com 50 mil hectares, gerando emprego, plantando, adquiriu autoestima, se tornou uma pessoa muito exigente. Esse produtor, geralmente é um vencedor, tem muita pressa e não consegue fazer as curvas da estrada. Ele quer que a estrada seja reta. Mas é normal que os mato-grossenses sejam exigentes, estou acostumado com os gaúchos, que são muito semelhantes, exigentes ao extremo, se queixam de tudo e isso faz parte da construção de pessoas aguerridas. Quer pessoa mais exigente que o Nabhan? (Luiz Antônio Nabhan Garcia, secretário de Assuntos Fundiários do Mapa) Ele, muitas vezes, é até intransigente, e hoje faz parte do governo. A gente, na verdade, tem que aprender a ter compreensão com as pessoas, cada um vê o mundo do seu ângulo e no seu tempo.

EXTRA –  Como faz para manter a forma depois que passou a frequentar os almoços da FPA? Quem é o comilão da turma?

Alceu Moreira – Tu sabes que é uma coisa que eu não observo?! Como eu estou sempre dirigindo os encontros, eu não percebo. A FPA, na verdade, é um belo lugar para fazer uma alimentação correta, uma salada farta, normalmente uma comida leve. Essa semana teve cuca também, mas aí é com o Schenkel (Alexandre Schenkel, presidente do Instituto Pensar Agro – IPA). Ele esteve em uma festa em Lagoa dos Três Cantos (RS) que tinha cuca e comprou. Aliás, a sobremesa dele, ele serviu antes das outras (risos). Mas, normalmente, o almoço é tranquilo e equilibrado, difícil mesmo é quando tem as confraternizações. Aí sim, temos vinhos, whisky e a gente geralmente extravasa.

Saideira  – Assim como o outro Alceu famoso (o cantor), o senhor também canta muito?

Alceu Moreira – Gosto. Muito! Gosto de samba. Naquela mesa, de Nelson Gonçalves é uma das minhas favoritas.

Só mais uma…  – O senhor está no MDB desde 1980, desde a fundação, são 39 anos, já pode disputar o título de patrimônio do partido ao lado do deputado federal Carlos Bezerra (MDB-MT)?

Alceu Moreira – Olha, que eu posso disputar o título de patrimônio sim, só não sei se com o Carlos (risos)…

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