Alan Malouf teria usado manobra para conseguir acordo de colaboração

Alan Malouf incluiu novo anexo citando jurista depois que teve tentativa de delação negada pelo MPE

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

A delação do empresário Alan Malouf a respeito do esquema de desvio de dinheiro da Secretaria de Estado de Educação, Esporte e Lazer de Mato Grosso (Seduc), apurado na Operação Rêmora, teria sido fruto de uma manobra e, ainda, usada como retaliação ao promotor de Justiça Marco Aurélio e à juíza, agora aposentada, Selma Arruda, que era responsável pela ação.

Documentos obtidos pelo LIVRE mostram que, inicialmente, o empresário não teve sucesso quando tentou a colaboração no âmbito do Ministério Público do Estado (MPE). Isso porque Malouf teria apresentado provas frágeis sobre o que delatava. Em outros pontos, teria sido omisso de forma proposital.

Conforme parecer do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco), apesar de citar diversas pessoas com prerrogativa de foro, o MPE analisou o anexo 8 da delação, no qual Malouf narra o esquema na Seduc. Naquela altura, a Operação Rêmora já estava na segunda fase.

Ocorreu que, ao analisarem o caso, porém, os promotores notaram lapsos nos fatos. Segundo manifestaram, as omissões seriam propositais, chamadas de “reservas mentais”, sendo que o empresário também levantava contradições sobre os casos.

Para o Gaeco, então, Alan Malouf teria tentado, na realidade, “atrapalhar a atividade investigativa” da Operação.

[featured_paragraph]”O comportamento do pretenso colaborador denota inteligência voltada à tentativa de controle da atuação ministerial, tentando direcioná-la no sentido de total contrariedade da prova obtida mediante árdua atividade investigativa”, diz trecho do parecer. [/featured_paragraph]

Dessa forma, no dia 13 de dezembro, o Gaeco negou firmar o acordo de colaboração premiada – decisão que foi ratificada pela juíza Selma Arruda no dia seguinte. Os anexos foram então remetidos à Procuradoria-Geral da República (PGR), em razão do conteúdo.

Três dias depois, Alan Malouf entregou novo anexo, o 15º, que também foi enviado à PGR pelo coordenador do Núcleo de Ações de Competências Originárias (Naco), Antônio Sérgio Cordeiro Piedade. O novo termo foi remetido diretamente ao procurador-geral da época, Rodrigo Janot, “face à gravidade e peculiaridade do caso”, e tratava de Fábio Galindo, ex-promotor e ex-secretário de Segurança Pública.

Segundo Malouf delatou, Galindo teria oferecido “blindagem” ao delator junto à justiça e, inclusive, imprensa. Disse que Galindo era próximo à, na época, juíza Selma Arruda, que havia determinado as prisões da Operação Rêmora, bem como ao promotor Marco Aurélio, do Gaeco. A tratativa entre Galindo e Malouf teria acontecido em uma chácara do ex-promotor, segundo o delator.

Outro lado

Ao LIVRE, Galindo observou que o termo no qual foi citado seria fruto de uma “vingança pura e rasteira” por parte do delator.

“Essa manobra realizada só exterioriza os reais motivos do colaborador, que usou a colaboração como instrumento seletivo de proteção de amigos e retaliação dos que considerou inimigos. Vingança pura e rasteira, agora descoberta”, disse.

“Espero, sinceramente, que o Ministério Público perceba rapidamente que foi literalmente usado, ao talante do colaborador, aplicando as consequências jurídicas adequadas”, completou.

Ainda conforme Fábio Galindo informou, ele deverá entrar com ação contra o delator.

Já o advogado do empresário, Huendel Rolim, informou que encontrava-se em reunião e que iria se manifestar até o final da tarde. A reportagem não conseguiu contato com o promotor Marco Aurélio, do Ministério Público.

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