Alan Malouf relata encontro suspeito com Brustolin, que estaria querendo “entregar” Taques

Primo do delator e Brustolin deram voltas de carro por uma hora para saber sobre processo

(Foto:Ednilson Aguiar/ O Livre)

O empresário Alan Malouf relatou, em sua delação premiada, um encontro suspeito com o ex-secretário de Fazenda de Mato Grosso Paulo Brustolin, ocorrido em 9 de dezembro de 2017, por volta das 16h30, período em que negociava o acordo de delação com o Ministério Público.

Malouf disse que recebeu uma visita inesperada do primo Mário Mansur, que lhe convidou para dar uma volta de carro e tratar de um assunto particular. No caminho, Mansur disse que um amigo em comum havia pedido para conversar com Malouf. Então parou o veículo próximo à Ambev e Paulo Brustolin entrou. Segundo Malouf, eles andaram em círculos por cerca de uma hora, enquanto conversavam.

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“O sr. Brustolin queria a todo momento saber se Alan teria feito delação premiada. Perguntou ainda o que Alan teria falado dele, em suma. Brustolin questionou sobre outras pessoas ao sr. Alan, também alvos da colaboração, tais como: Fabio Galindo e o pessoal do setor alcooleiro. Ainda na conversa, pediu ao sr. Alan que acaso fizesse algum acordo, que informasse a ele – Paulo Brustolin – com a finalidade de ajustarem versões, pois ele também queria ‘entregar o Pedro.’”

Como estranhou a abordagem, Malouf disse que tentou despistar Brustolin e concordou em avisá-lo se decidisse seguir esse caminho, para que “juntos pudessem entregar Pedro Taques”. Ele suspeitou que estivesse sendo gravado e relatou o caso à Procuradoria Geral da República (PGR), durante as negociações para firmar acordo de colaboração premiada.

Propina de R$ 1,4 milhão

Na delação, Alan Malouf afirmou que Paulo Brustolin recebeu, por fora, R$ 1,46 milhão ao longo do ano de 2015, para que tocasse a Sefaz. Desse montante, R$ 500 mil foram para assumir o cargo de secretário e R$ 80 mil por mês de complemento salarial. Com uma renda mensal de cerca de R$ 60 mil como executivo da Unimed Cuiabá, o ex-secretário teria condicionado sua saída da iniciativa privado ao complemento salarial.

Alan Malouf afirmou também R$ 25 mil por mês a Júlio Modesto para que ele assumisse a Secretaria de Gestão (Seges).

Os pagamentos, segundo a delação, foram feitos por Alan Malouf, Marcelo Malouf, Erivelton Gasques e Juliano Bortoloto, a pedido do governador Pedro Taques (PSDB). O grupo de amigos/empresários do governador teria resolvido ratear os valores, que se daria a título de empréstimo, também a pedido do gestor do Executivo.

Delação de Alan Malouf

A delação tem 20 anexos que relatam um esquema que teria alimentado caixa dois na campanha de Pedro Taques ao governo de Mato Grosso em 2014. Alan Malouf ofereceu acordo de delação premiada, em dezembro de 2016, na Operação Rêmora.

A operação foi deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) em maio de 2016, e desmantelou um esquema de fraudes em licitações de obras de escolas em Mato Grosso. O esquema foi montado na gestão de Permínio Pinto (PSDB) como secretário de Estado de Educação (Seduc), no primeiro ano do governo Taques.

A delação foi homologada em abril pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e o sigilo foi retirado nesta sexta-feira (19) pelo ministro Marco Aurélio Mello.

Outro lado

A defesa do ex-secretário Paulo Brustolin informou, por meio de nota, que a citação de seu nome na delação do empresário causou estranheza e indignação, uma vez que jamais teria feito qualquer pedido para assumir a Pasta ou cometido qualquer irregularidade e que tomará as medidas cabíveis.

Confira a nota na íntegra:

O advogado do ex-secretário Paulo Brustolin, Vinicius Segatto, vem a público informar que causou enorme estranheza e indignação ao seu cliente o surgimento de seu nome ligado a uma delação premiada firmada pelo empresário Alan Malouf.

Segatto afirma que Brustolin jamais fez qualquer pedido para assumir a Secretaria de Estado de Fazenda (Sefaz/MT), ao qual ficou a frente durante 18 meses e se dedicou integralmente, jamais cometendo qualquer tipo de irregularidade, tendo pautado sua atuação pelos princípios da ética, transparência e legalidade que inclusive o norteiam ao longo dos últimos 20 anos em que atua na iniciativa privada, para onde retornou após dar sua contribuição à administração pública.

Quanto à sua postura e seus princípios morais não há razões para questionamentos, pois, sempre atuou com lisura e honestidade e, por esse motivo, qualquer afirmação contrária é vil e leviana.

Por fim, Segatto lembra que ao longo do período em que seu cliente esteve na Sefaz, todos os trabalhos desenvolvidos em prol de Mato Grosso contaram com o conhecimento, a participação e a chancela dos órgãos de controle.

No intuito de elucidar os fatos e restabelecer a verdade, a defesa informa que tomará as medidas cabíveis.

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